Exame aponta potencial correlação entre o Zika e a microcefalia
Em 2014, o vírus zika foi identificado em pacientes na cidade de Camaçari
De acordo com o Ministério da Saúde, já foram registrados mais de 400 casos de microcefalia em recém-nascidos de sete estados do nordeste. Esta situação relativamente rara apresentou um aumento no número de casos recentemente. Foi confirmada a presença do vírus zika no líquido amniótico de duas gestantes na Paraíba cujos bebês são microcefálicos, o que aponta uma potencial correlação entre as duas doenças naquela região no Brasil.
Segundo Alberto Chebabo, infectologista e integrante do corpo clínico do Laboratório Bronstein Medicina Diagnóstica, existe a probabilidade de que as mães com infecção aguda de vírus zika tenham passado a doença para o feto. “A correlação entre o vírus e o surto de microcefalia ainda não foi totalmente pontuada pelo governo, já que esta é uma situação totalmente nova. Não existe qualquer publicação médica que aponte esta correlação, apesar de terem ocorrido surtos em outras regiões do mundo. Há a necessidade de mais estudos para avaliar a correlação”, diz o especialista. O governo agora está sugerindo que as mulheres do Nordeste que planejam engravidar conversem com a família e com os médicos sobre os riscos.
A microcefalia é caracterizada pelo menor perímetro cefálico dos recém-nascidos, sendo que o tamanho normal é acima de 32 centímetros. Além de infecções virais, o problema pode ser causado por rubéola e toxoplasmose, alterações genéticas, consumo de álcool e de drogas pela mãe. A microcefalia pode ser diagnosticada ainda durante a gravidez, e os comprometimentos causados variam, podendo afetar as capacidades motoras e psicológicas, e até levar à morte da criança.
Chebabo reforça que a situação é mais grave na região Nordeste, mas já há casos descritos em outras regiões do Brasil. O infectologista explica que o vírus zika é transmitido pelos mosquitos Aedes Aegypti e Aedes Albopictus. “É uma doença parecida com a dengue, inclusive nos sinais e nos sintomas”, revela. Inicialmente, os casos assemelham-se a uma gripe, apresentando dor de cabeça, dor nas articulações, conjuntivite, dor de garganta, febre leve, irritação da pele, náuseas e dor muscular, com cura espontânea em 5 dias.
O médico afirma que a melhor forma de se prevenir contra a febre zika é combatendo os mosquitos Aedes, por meio de inseticidas, uso de repelentes, telas nas janelas e campanhas de prevenção. Chebabo lembra que não existem vacinas ou tratamentos específicos para a febre zika.
O vírus zika foi identificado pela primeira vez em 1947 em macacos Rhesus, em Uganda. É um arbovírus (vírus essencialmente transmitido por artrópodes, como os mosquitos) que tem o nome relacionado a uma floresta do local. Os primeiros casos em humanos ocorreram na Nigéria, em 1954. Em 2007 foram registrados casos de infecção em 75% da população das Ilhas Yap, na Micronésia. “É importante observar que os arbovírus têm uma taxa de mutação 300 vezes mais elevadas do que os outros tipos de vírus, podendo se desenvolver rapidamente”, alerta o médico.
Em 2008, reapareceu entre pesquisadores no Senegal, sem sintomas graves. O vírus zika voltou a ser observado na Polinésia Francesa em 2013, com 55 mil casos num período de 3 meses. Neste surto observaram-se casos clínicos mais graves associados à Síndrome de Guillain-Barré (quadro neurológico/ paralisia), além de outras complicações neurológicas como a encefalite, meningoencefalite, parestesia e paralisia facial.
No Brasil, existem registros desse vírus desde outubro de 2014, quando o zika foi identificado em amostras de sangue de pacientes residentes em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia.
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