Cármen Lúcia pede respeito em sessão sobre descriminalização do aborto
“Sei que é um tema que desperta paixões, mas gostaria que fossemos suficientemente calmos para ouvir a todos com igual respeito”, afirmou a presidente do STF

Carolina Gonçalves
Ao reabrir nesta segunda-feira (6) as sessões sobre descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, pediu respeito aos participantes e disse que o ambiente foi criado com “intuito exclusivo” de ouvir especialistas que representam segmentos da sociedade.
“Sei que é um tema que desperta paixões, mas gostaria que fossemos suficientemente calmos para ouvir a todos com igual respeito, sem manifestações”, ressaltou, lembrando que os posicionamentos sobre o assunto serão distribuidos a todos os ministros da Corte, presentes ou não, a fim de contribuir para “um julgamento que seja justo”.
Ao assumir a condução dos trabalhos, a ministra Rosa Weber, relatora da ação que pede mudanças na lei penal sobre o aborto, disse que o objetivo das audiências é ouvir os diferentes pontos de vista sobre o tema que, segundo ela, “perpassa questões de ordem ética, religiosa, moral e de saúde pública”.
“Estamos de coração sereno e de espírito aberto para ouvir todas as vozes que aqui vão se manifestar, com igual respeito e tolerância para com todos que apresentarem posicionamentos diferentes. Esta é a base democrática do Estado de direito”, disse.
Movimentos – Integrantes de movimentos feministas a favor da descriminalização do aborto enfrentaram desde cedo restrições para entrar no plenário, como abrir mão das camisetas dos movimentos. Já dentro, com galhos de arruda nos cabelos e tons de verde nas roupas, não puderam gritar palavras de ordem diante da primeira exposição do dia, que coube à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), claramente contrária à descriminalização.
O mestre e doutor em Bioética e Teologia Moral na Academia Alfonsiana em Roma, dom Ricardo Hoerpers, bispo de Rio Grande (RS), afirmou que a defesa da vida não se trata de um posicionamento “fanático religioso”.
“Não podemos tratar o assunto negando a existência do bebê. Parece até que estamos falando de uma membrana biliar”, disse. Para o mestre, a prática do aborto é um problema de saúde pública que “deve ser tratado como tal”. Ele alertou que, se a Corte decidir “desabilitar” os artigos do Código Penal sobre o aborto, estará desacreditando a “vida do bebê”.
“É uma pessoa, uma existência. Se é uma questão de saúde, a lei teria que proteger mãe e o filho proporcionalmente. Como o STF vai explicar a permissão da pena capital de um ser humano indefeso para explicar nossa incapacidade de saúde publica? O direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos e, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. É intrínseco, a vida humana não compete ao Estado.”
Dom Hoerpers ressaltou a necessidade de “combater as causas do aborto”, com o aprimoramento de politicas públicas que atendam mulheres nos campos da saúde, segurança e especialmente em localidades mais pobres do país. “Pedimos que esta Corte não permita a descriminalização do atentado à vida.”
Opiniões contrárias à descriminalização do aborto foram apresentadas nesta manhã no STF. Além da CNBB, a representante do Conselho Nacional do Laicato do Brasil na Arquidiocese de Aracaju (SE) Silva Maria Palmeira Cruz argumentou que “a vida começa na concepção” e defendeu investimentos em políticas de saúde e apoio às mulheres.
Ao todo, 13 entidades ligadas à religiões devem se manifestar ao longo da manhã de hoje. O STF retoma os trabalhos no período da tarde para exposição de representantes de outras 13 instituições ligadas aos direitos humanos.
Mais notícias
-
Justiça19h49 de 12/06/2026
TJ-BA promove debates sobre direitos e combate ao preconceito da população LGBTQIAPN+
Programação do evento contou com mesas-redondas e palestras que abordaram desafios práticos vivenciados pela comunidade
-
Justiça19h06 de 12/06/2026
MP-BA aciona Justiça para garantir terapias a crianças com autismo em Cícero Dantas
Iniciativa foca no atendimento de crianças que dependem de acompanhamento contínuo
-
Justiça18h37 de 12/06/2026
Fachin rebate Justiça italiana e defende imparcialidade do STF em processo de Carla Zambelli
Corte Suprema de Cassação da Itália apontou falta de imparcialidade na condução processual de Alexandre de Moraes
-
Justiça17h45 de 12/06/2026
Registros de contratos de namoro batem recorde histórico na Bahia em 2025
Interesse por essa ferramenta jurídica experimentou uma aceleração impressionante em um curto intervalo de tempo
-
Justiça17h10 de 12/06/2026
Após 12 anos, Justiça condena motorista por acidente que matou publicitário em Salvador
Decisão determinou que o réu pague uma indenização por danos morais equivalente a 500 salários mínimos
-
Justiça15h59 de 12/06/2026
Baiana Margareth Costa toma posse como ministra do TST e amplia representatividade feminina na Corte
Magistrada assume a vaga aberta decorrente da aposentadoria do ministro Aloysio Corrêa da Veiga
-
Justiça19h48 de 11/06/2026
MP-BA entra com ação contra município de Laje por falhas em serviço de medidas socioeducativas
Promotoria identificou as irregularidades por meio de três ciclos consecutivos de inspeções minuciosas
-
Justiça19h09 de 11/06/2026
MP-BA aciona distribuidora de produtos hospitalares por falta de licença sanitária
Órgão fixou exigências rígidas na ação para que a empresa possa restabelecer suas funções
-
Justiça18h45 de 11/06/2026
MP aciona Justiça para anular eleição da Mesa Diretora da Câmara de Teixeira de Freitas
Promotor explicou que a manobra fere diretamente preceitos constitucionais e democráticos
-
JustiçaEXCLUSIVO17h38 de 11/06/2026
Unifacs rebate acusações de irregularidade e defende transparência após condenação judicial
Instituição garantiu que o processo de rematrícula cumpre os critérios previamente estabelecidos em contrato










