Vereador rebate prefeito e diz que fim do arrastão na quarta de cinzas foi debatido

    “Como é que pode ter faltado debate? Esse projeto está na Câmara desde 2016", argumentou Henrique Carballal, autor da matéria

    Foto: Luiza Lopes/bahia.ba

    Autor do projeto que proíbe o já tradicional arrastão da Quarta-Feira de Cinzas no Carnaval de Salvador, o vereador Henrique Carballal (PV) rebateu o prefeito ACM Neto (DEM), que afirmou que a matéria não foi debatida com a sociedade e outras instâncias de poder.

    “Como é que pode ter faltado debate? Esse projeto está na Câmara desde 2016. Passou pela Comissão de Constituição e Justiça, pela Comissão de Orçamento. O líder do prefeito era presidente da CCJ na época”, disse Carballal ao bahia.ba na tarde desta segunda-feira (16), em sessão na Câmara.

    O vereador afirmou ainda que o texto foi aprovado por 38 vereadores, que “votaram sabendo o que estava sendo votado”.

    “Esse projeto é justo, traz respeito e ordem para a cidade, traz o verdadeiro sentido que o Carnaval possui”, argumentou o autor da matéria.

    Sobre um possível veto do prefeito ao projeto, Carballal disse que não poderia comentar com base em “indícios”.

    “Vi ele [ACM Neto] falando que, quando o projeto chegar na prefeitura, vai analisar. O que posso garantir é que vamos lutar para que o projeto seja aprovado. Tenho segurança e argumentos para demonstrar que é uma decisão acertada, até porque Quarta-Feira de Cinzas é dia útil”, declarou.

    “Não preciso de uma lei proibindo que seja realizado qualquer tipo de evento na Barra, por exemplo. Existe um TAC assinado entre a prefeitura, Ministério Público e associação de moradores que estabelece uma quantidade de eventos que podem ser realizados naquela localidade, entre esses eventos o Carnaval. Quarta-Feira de Cinzas não é Carnaval. Estamos estabelecendo o rigor em uma lei para que o poder público faça cumprir a ordem. Hoje eu posso botar um trio elétrico na Barra?”, comparou.

    O vereador rebateu ainda o argumento de que o texto desrespeitaria a laicidade do Estado. “Se for por aí, todo feriado religioso é inconstitucional? Será que as pessoas não veem que há uma profunda incoerência nesse discurso? O Estado laico brasileiro, reconhecendo a identidade nacional da população, preserva as suas tradições, entre elas os feriados nacionais, que são guardados como dias santos, entre esses dias o Carnaval”, afirmou.