As vendas do varejo na Bahia recuaram 4,3% em dezembro e fecharam 2020 com pior resultado desde 2016, quando o baque registrado foi de 4,3%, informou nesta quarta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O desempenho, livre de influências sazonais, desconsidera eventos como a Black Friday e o Natal. Foi o segundo resultado negativo seguido nessa comparação — as vendas já tinham recuado 2,6% de outubro para novembro.
No país como um todo, de novembro para dezembro, o varejo brasileiro obteve retração de 6,1%, com quedas em 26 das 27 unidades da Federação. Apenas o Amapá mostrou estabilidade nessa comparação (0,0%). Acre (-17,5%), Rondônia (-12,0%) e Maranhão (-8,3%) tiveram os piores resultados.
Frente ao mesmo mês de 2019, em dezembro passado as vendas na Bahia também caíram 6,6%. Nessa comparação, o desempenho do varejo baiano foi o segundo pior entre os estados, acima apenas do registrado em Tocantins (-8,4%) e ficou bem aquém do nacional. Foi também o pior dezembro para o comércio baiano desde 2016, quando as vendas haviam recuado 8,2%.
Varejo brasileiro cresceu 1,2%
No Brasil como um todo, apesar da pandemia de Covid-19, as vendas cresceram 1,2% na comparação com dezembro de 2019, com altas em 19 das 27 unidades da Federação. Roraima (15,8%), Piauí (14,1%) e Pará (13,5%) registraram os maiores crescimentos.
Com resultados bem negativos de março a julho, fortemente influenciados pela pandemia da Covid-19, e as duas quedas de novembro (-0,5%) e dezembro (-6,6%), as vendas do varejo da Bahia fecharam 2020 em baixa (-4,3%).
Foi o o terceiro pior desempenho do país nessa comparação anual, acima apenas dos recuos registrados no Ceará (-5,8%) e no Distrito Federal (-4,9%), e bem abaixo do verificado no Brasil como um todo (1,2%).
O ano de 2020 foi o pior para o comércio da Bahia desde 2016, quando as vendas haviam caído 8,2%.
6 de 8 segmentos caem
Com quedas em 6 dos 8 segmentos, recuo do varejo da BA em 2020 foi puxado por vestuário (-28,8%) e supermercados (-3,5%)
No acumulado no ano de 2020 (-4,3%), o volume de vendas caiu em seis dos oito segmentos do varejo restrito baiano (que desconsidera as vendas de automóveis e material de construção).
Apenas móveis e eletrodomésticos (14,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (3,0%) tiveram resultados positivos no ano.
O resultado negativo em geral foi puxado pelo segmento de tecidos, vestuário e calçados (-28,8%) e pela queda na vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,5%), que teve o recuo menos intenso, mas é a atividade mais importante na estrutura do comércio varejista baiano.
O segmento de vestuário (-28,8%) teve o seu pior ano desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio para esse indicador, em 2001. Sofreu quedas seguidas e intensas nas vendas entre março e setembro, fortemente influenciadas pelo fechamento das lojas em razão da pandemia da Covid-19.
O desempenho negativo do segmento de supermercados (-3,5%), por sua vez, foi puxado por quedas importantes nas vendas em novembro (-16,3%) e dezembro (-14,7%).
Por outro lado, o segmento de móveis e eletrodomésticos (14,6%) teve seu melhor ano na Bahia desde 2011, quando tinha visto suas vendas crescerem 17,6%.
Venda de automóveis tem queda recorde
Com queda recorde na venda de automóveis (-24,1%), varejo ampliado da Bahia teve pior resultado do país em 2020 (-7,9%)
No acumulado do ano de 2020, as vendas do comércio varejista ampliado na Bahia também apresentaram queda (-7,9%) em comparação ao ano anterior. O resultado foi o pior entre os estados e ficou bem abaixo da média do país como um todo (-1,5%).
O desempenho final de 2020 também foi o pior para o varejo ampliado baiano desde 2016 (-11,1%).
O varejo ampliado engloba o varejo restrito mais as vendas de de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, para as quais não se consegue separar claramente o que é varejo do que é atacado.
O resultado negativo no ano se deu em razão da queda recorde para o estado na venda de veículos, motocicletas, partes e peças (-24,1%). Este foi o pior número na Bahia desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, em 2001.

