Polícia Civil ainda busca mais dois suspeitos da morte de Mãe Bernadete
Ao todo, cinco homens são suspeitos de cometer o crime, três estão presos e dois seguem foragidos

Com a prisão de Ydney Carlos dos Santos de Jesus, conhecido como “Café” , a Polícia Civil, agora, se concentra para localizar os outros dois suspeitos de envolvimento no caso do assassinato da Mãe Bernadete. “O ‘Café’ se via como grande interlocutor entre o quilombo de Mãe Bernadete e o ‘Maquinista’, por seu envolvimento no tráfico e por, também, conhecer o primeiro filho da ialorixá. Na véspera do assassinato, no dia 16 de agosto do ano passado, Ydney e Mãe Bernardete tiveram uma discussão acalorada por conta da proibição da instalação de uma barraca como ponto de tráfico de drogas no quilombo, negada pela líder. Então, o ‘Café’, quando soube da informação, articulou com os seus comparsas a execução de Mãe Bernadete”, explicou a delegada-geral da Polícia Civil (PC), Heloísa Brito.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), um dos suspeitos de auxiliar no plano de execução da líder quilombola ialorixá Mãe Bernadete foi preso na noite de terça-feira (23), no bairro de Stella Maris, em Salvador, por policiais civis do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc). Ydney Carlos dos Santos de Jesus, conhecido como “Café”, é apontado como gerente do tráfico local e integrava a carta ‘Dama de Ouros’ do Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A SSP aponta que com Ydnei, também foram apreendidas uma pistola municiada e porções de entorpecentes. O acusado teve o mandado de prisão preventiva cumprido, passou por exames de lesões e segue preso à disposição da Justiça. Ao todo, cinco homens são suspeitos de cometer o crime, três estão presos e dois seguem foragidos. Existe um sexto envolvido que teria armazenado as armas utilizadas na execução. Os réus integram uma organização criminosa, cujo líder seria Marílio, conhecido como “Maquinista”, ainda foragido.
Com a terceira prisão, a Polícia Civil, agora, se concentra para localizar os outros dois suspeitos de envolvimento no caso. “O ‘Café’ se via como grande interlocutor entre o quilombo de Mãe Bernadete e o ‘Maquinista’, por seu envolvimento no tráfico e por, também, conhecer o primeiro filho da ialorixá. Na véspera do assassinato, no dia 16 de agosto do ano passado, Ydney e Mãe Bernardete tiveram uma discussão acalorada por conta da proibição da instalação de uma barraca como ponto de tráfico de drogas no quilombo, negada pela líder. Então, o ‘Café’, quando soube da informação, articulou com os seus comparsas a execução de Mãe Bernadete”, explicou a delegada-geral da Polícia Civil (PC), Heloísa Brito.
A denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA) apontou que os ideais da ialorixá e a sua luta para manter a ordem dentro da comunidade quilombola passaram a conflitar com os interesses dos líderes do tráfico de drogas da região. Percebendo que a liderança de Maria Bernadete impediria a expansão do comércio de entorpecentes e de outros negócios rentáveis no entorno da barragem de Pitanga dos Palmares, área de preservação ambiental, ‘Maquinista’ deu a ordem para que Bernadete fosse executada.
Curso das investigações
Ainda segundo a pasta estadual de segurança, desde o início das investigações realizadas pela Polícia Civil da Bahia, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), aproximadamente, 80 oitivas foram realizadas e 20 medidas cautelares foram solicitadas e deferidas pelo Poder Judiciário. Também foram analisados 14 laudos periciais, entre os quais confirmaram que as armas apreendidas foram, de fato, utilizadas no crime. Além de reconhecimento dos autores por parte das testemunhas, a autoria também foi confirmada por meio da confissão do executor, que apontou o mandante e a motivação. No dia 9 de novembro do ano passado, o inquérito policial foi concluído, apresentando três pessoas presas em flagrante e mais três com mandados de prisão decretado. A inserção dos acusados no baralho do crime também facilitou a prisão. “Através das denúncias que chegaram até nós, conseguimos levantar a região que ‘Café’ estava e as equipes lograram êxito fazendo a prisão, prendendo, com ele, uma pistola e uma pequena quantidade de drogas também”, completou a delegada.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, ressaltou que os resultados dessa investigação demonstram o esforço do Estado na luta contra a impunidade. “No Brasil, existem muitos casos de violação de direitos humanos e de ataque a defensores que ficam pelo caminho das investigações, que não são concluídas, e, nesse caso, felizmente, as pessoas têm sido presas. Isso é importante para que a gente possa emitir um sinal claro para a sociedade de intolerância com a violação de direitos humanos e da necessidade de se preservar a vida das pessoas com ações fortes do Estado para combater a impunidade e para garantir a afirmação da Justiça”, enfatizou.
O titular da SJDH lembrou, ainda, que o Estado e o Governo Federal criaram um grupo de trabalho para acelerar o processo de demarcação de terras: “afirmar a titularidade sobre a terra, garantindo políticas públicas para essa comunidade, é um passo fundamental para que a proteção se dê em todas as dimensões da vida daquelas pessoas. E o reconhecimento daquela comunidade tradicional é um passo central que está sendo dado e que vai ter um efeito determinante, um exemplo no sentido do que nós precisamos fazer para evitar que tragédias como essa se repitam”.
Os suspeitos do caso são:
* Marílio dos Santos ou “Maquinista” (foragido) – agiu como mandante e mentor intelectual do crime.
* Josevan Dionísio dos Santos ou “BZ” ou “Buzuim” (foragido) – apontado como um dos executores imediatos do crime.
* Ydney Carlos dos Santos de Jesus ou “Café” (preso) – apontado como gerente do tráfico local, subordinado e “braço” direito de “Maquinista”.
* Sérgio Ferreira de Jesus (preso) – partícipie do crime, tendo influenciado o grupo a decidir pela execução de Mãe Bernadete.
* Arielson da Conceição dos Santos (preso) – acusado como outro autor dos disparos
* Carlos Conceição Santiago (preso) – apontado por ter armazenado as armas utilizadas no crime.
Diligências continuam no sentido de localizar os foragidos. Para colaborar, a população pode fornecer informações, sem precisar se identificar, para o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA), ligando 181.
Entenda o caso
Maria Bernadete Pacífico Moreira, de 72 anos, foi assassinada em 17 de agosto de 2023, com 25 tiros, na sede da associação do quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. A informação do crime foi dada à polícia pelo neto de Bernadete, Wellington Gabriel de Jesus dos Santos, de 22 anos, que fazia companhia a ela na noite do crime. Além dele, estavam com a líder quilombola dois adolescentes de 13 e 12 anos.
Após matarem Mãe Bernadete, os suspeitos levaram os celulares da líder quilombola e dos netos. Sem telefone, Wellington utilizou o aplicativo de mensagens que estava aberto no computador para pedir socorro para pessoas que vivem no quilombo. Depois disso, ele deixou os familiares adolescentes com um vizinho e foi até o terreiro de candomblé, que fica dentro do Pitanga dos Palmares, para ligar para a polícia. Os suspeitos chegaram e saíram do quilombo de moto.
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