Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Repórter no portal Bahia Econômica. Atualmente, repórter de Cultura no portal bahia.ba.
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Publicado em 18/12/2025 às 12h10.
‘Avatar: Fogo e Cinzas’ acelera no espetáculo visual, mas freia na criatividade
Terceiro capítulo da saga de James Cameron amplia a grandiosidade técnica, mas vira repeteco de fórmulas narrativas
João Lucas Dantas
Foto: 20th Century Studios
Alguns filmes são seminais para a evolução tecnológica do cinema. Cidadão Kane, em 1941, com o uso de profundidade de campo, enquadramentos e som; Star Wars, em 1977, com efeitos especiais modernos; Jurassic Park, em 1993, com a mistura de computação gráfica (CGI) e animatrônicos; Toy Story, em 1995, a primeira animação feita totalmente de forma digital, e, sobretudo, alguns filmes de James Cameron.
Cameron sempre foi um entusiasta de forçar a indústria a se modernizar e expandir limites tecnológicos. O Segredo do Abismo, em 1989, foi um marco no uso de CGI fotorrealista. O Exterminador do Futuro 2, em 1991, revolucionou o cinema com o T-1000, personagem feito com CGI de “metal líquido”, algo jamais visto, e, claro, o primeiro Avatar, de 2009, com a tecnologia de captura de movimento, 3D e produção digital em larga escala.
Todos são filmes que consolidaram os efeitos digitais como ferramenta narrativa central, não apenas decorativa, e estabeleceram um novo padrão para blockbusters de alto orçamento.
E Avatar é parte essencial das últimas duas décadas na carreira de Cameron, já que ele vem se dedicando exclusivamente a desenvolver sua saga desde o começo dos anos 2000. A primeira entrada na franquia foi um sopro de ar fresco no cinema, mesmo com a história batida à la Pocahontas.

Foto: 20th Century Studios
De volta à Pandora
O segundo, Avatar: O Caminho da Água, lançado 13 anos após o antecessor, em 2022, representou uma evolução na escala, trabalhando muito mais com o uso de cenas aquáticas para mesclar todo o universo de Pandora.
E, em 2025, chegamos ao terceiro capítulo da saga do povo Na’Vi, em Avatar: Fogo e Cinzas, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta (18), com a base mais frágil entre os três longas. Em suma, parece uma reciclagem de acontecimentos vistos no segundo filme. Antes muito contemplativo com o povo da água, agora injetado com a adrenalina do povo do fogo, durante 3 horas e 17 minutos.
Depois de uma perda devastadora no último longa, a família de Jake Sully (Sam Worthington) e Neytiri (Zoe Saldaña) enfrenta uma tribo Na’Vi hostil, os Ash, liderada pela implacável vilã Varang (Oona Chaplin), à medida que os conflitos em Pandora se intensificam e surgem novos dilemas morais.

Foto: 20th Century Studios
Pé no acelerador e freio na criatividade
A franquia Avatar nunca foi lembrada, exatamente, por personagens ou histórias marcantes. Acho difícil que o público casual se lembre de nomes dos protagonistas ou de detalhes da trama. É difícil se relacionar com o povo azul de Pandora.
O próprio Cameron já entregou diversas histórias e momentos marcantes anteriormente, como a tragédia de Jack e Rose, em Titanic (1997), ou a própria figura do Exterminador do Futuro, eternizado por Arnold Schwarzenegger, mas Avatar parece nunca entrar definitivamente no imaginário da cultura pop mundial, para além dos aplausos às questões técnicas e visuais, que sempre foram impecáveis.
Avatar 2 parece funcionar como uma clara evolução narrativa em relação aos acontecimentos do primeiro filme, mesmo sendo bem mais contemplativo do que o público esperava. Já o terceiro filme recicla ideias do anterior, dando a sensação de que já vimos tudo aquilo antes, apenas em uma nova dinâmica, representada pelo povo do fogo.

O espetáculo cinematográfico
Visualmente, continua um espetáculo sem igual. Os efeitos especiais se tornam cada vez mais fotorrealistas, as movimentações mais fluídas, e o mundo se expande para novos elementos da natureza de Pandora que ainda não havíamos visto.
Porém, o roteiro do próprio Cameron, ao lado de Rick Jaffa e Amanda Silver, parece se limitar às mesmas batidas de história já vistas, forçando a narrativa a girar em torno da captura do, disparado, pior personagem da franquia, o humano Spider (Jack Champion), o destoante menino adotado pela família Sully, uma espécie de Mogli desse mundo.
É cansativo que, em um universo tão rico de criaturas e flora diversa, o espectador seja forçado a acompanhar um personagem tão mal escrito e irritante tomar conta das telonas. Isso trava completamente a dinâmica do filme, tirando o foco daqueles que realmente interessam, os Na’Vi.
Os acontecimentos neste terceiro filme parecem surgir sem muitas justificativas plausíveis, com a impressão apressada de que tudo precisa ser resolvido com urgência para fazer a história andar, incluindo os inesperados eventos que envolvem Spider.

Foto: 20th Century Studios
As batidas na história dos Na’Vi
Novamente, pela terceira vez seguida, vemos Sully ser forçado a unir tribos e defender sua família e aldeia. Não que isso seja um demérito. Em muitos momentos, é possível sentir empolgação genuína e conexão com os personagens, principalmente com os animais e os filhos de Jake e a irritadiça Neytiri, que vive o luto avassalador de uma mãe que perdeu uma criança.
Mesmo com o repeteco de ideias, é inegável que as batidas emocionam. O fundo ambientalista, principalmente a metáfora à caça de baleias e à destruição da natureza promovida pelo avanço humano, acaba tocando por nos fazer refletir sobre a nossa própria realidade.
As cenas de batalha estão mais grandiosas do que nunca, e o povo do fogo, com características mais indígenas e visualmente inspiradas em povos originários dos Estados Unidos, como os comanches, traz boas novidades ao novo longa.
A nova vilã Varang, vivida por uma Oona Chaplin ameaçadora e intrigante, ao lado do Coronel Quaritch, interpretado pelo ótimo Stephen Lang, que mesmo em suas canastrices arranca risadas e certa comoção como o vilão que talvez esconda algum traço de humanidade, forma uma boa dupla e, talvez, sejam as melhores partes do filme.

Foto: 20th Century Studios
O peso emocional
A família Sully gera empatia. Seus filhos, em constante busca por aprovação dos pais e por um lugar no mundo, dão peso emocional à trama, mesmo que acabem sempre sendo os alvos frágeis explorados por Cameron.
Aqui, o mais impressionante é ver a septuagenária Sigourney Weaver (eterna Ripley, de Alien) interpretar uma menina adolescente. Claro, amparada pela tecnologia de captura de movimento, que permite recriar uma Na’Vi com total liberdade, mas com um sólido trabalho de voz que disfarça a idade.
O diretor segue capaz de criar sequências visuais de encher os olhos, e a direção de fotografia de Russell Carpenter é riquíssima, usando a luz de forma criativa, principalmente nas cenas noturnas, onde nunca ficamos perdidos visualmente. Pelo contrário, o uso de luzes, à la flashes de câmera, dá uma dinâmica única às cenas.
As composições de Simon Franglen para a trilha sonora seguem competentes, mesmo sem alcançar algo verdadeiramente marcante como os grandes épicos do cinema, caso de O Senhor dos Anéis, Harry Potter ou o próprio Titanic. Ainda assim, Miley Cyrus é responsável pela boa canção-tema da vez, “Dream as One”.

Foto: 20th Century Studios
Na ponta da cadeira
Mesmo sendo o mais longo da trilogia e com uma história presa aos clichês estabelecidos pelo próprio Cameron, é inegável que, em vários momentos, o espectador se vê na ponta da cadeira, torcendo para que tudo dê certo, mesmo sabendo que não há riscos reais para os personagens.
Um elemento que o diretor sabe fazer bem, toda sua carreira, é trabalhar com um inventivo maquinário pesado de guerra, com grandes naves, equipamentos, com direito até a submarino em forma de caranguejo. Isso, ele sempre soube entregar bem.
Com resoluções sem explicações, muitos momentos de deus ex machina — em que problemas aparentemente insolúveis são resolvidos de forma súbita e artificial, sem preparação adequada — e um final extremamente cafona e novelesco, o filme entrega um fechamento empolgante, porém agridoce.
O foco constante em Spider faz com que o espectador deseje que o personagem seja retirado de cena de forma definitiva, algo que nunca acontece. Em meio a tantos personagens mais interessantes, insistir nesse humano desinteressante é uma escolha pobre.
Mesmo assim, a direção dinâmica reafirma que Cameron possui um olhar e talentos únicos para o espetáculo cinematográfico, embora seja inevitável pensar o quão interessante seria vê-lo se afastar um pouco de Avatar para se dedicar a outros projetos em paralelo.
Conclusão
Avatar: Fogo e Cinzas confirma que James Cameron segue insuperável quando o assunto é revolução visual e ambição técnica, mas também evidencia os limites criativos de uma franquia que parece girar em círculos narrativos. Impressiona, empolga e emociona pontualmente, mas deixa a sensação de que Pandora já foi mais fascinante do que atualmente o seu próprio roteiro permite.
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