Publicado em 08/07/2026 às 11h28.

‘Melanina Acentuada Festival’ celebra 80 anos do Teatro Experimental do Negro

Festival acontece entre 28 de julho e 3 de agosto em Salvador

João Lucas Dantas
Foto: Rebeca dos Santos/ Divulgação

 

A maior temporada dedicada à dramaturgia negra nacional está de volta aos palcos de Salvador. Entre os dias 28 de julho e 3 de agosto, a capital baiana recebe a oitava edição do Melanina Acentuada Festival, reunindo espetáculos, debates, oficinas, lançamentos de livros e ações formativas que celebram a produção artística negra contemporânea.

Com o tema “80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN)”, o festival presta homenagem ao legado de Abdias do Nascimento, fundador da histórica companhia criada em 1944 e referência na luta pelo protagonismo de artistas negros nas artes cênicas brasileiras. A edição também é dedicada à memória de Abdias e propõe uma reflexão sobre a permanência de seu legado na produção cultural contemporânea.

A programação reúne montagens consagradas, como “MACACOS”, de Clayton Nascimento, e a celebração dos 15 anos de “Namíbia, Não!”, de Aldri Anunciação, além de cinco novas montagens, o pocket show da banda Cabokaji, o stand-up “De Férias com Koanza”, ateliês de ideias, entrevistas públicas, compartilhamentos de poéticas, leituras dramáticas, oficinas e lançamentos de livros de Leda Maria Martins, Guilherme Diniz, Elisa Larkin, Jessé Oliveira e Aldri Anunciação.

Com espetáculos vindos do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de produções baianas, o festival também reúne artistas, pesquisadores e escritores como Eugênio Lima, Luciany Aparecida, Juão Nyn, Sulivã Bispo, Johayne Hildefonso, Daniel Arcades, Lincoln Oliveira, Paulo Henrique dos Santos, Fernando Lufer e Marina Esteves, promovendo encontros que valorizam diferentes perspectivas da dramaturgia negra.

Ao longo de sete dias, a programação ocupará o Goethe-Institut Salvador, o Teatro Sesc Casa do Comércio, o Teatro Jorge Amado, o Teatro Martim Gonçalves e o SESI Rio Vermelho, aproximando estudantes, artistas, pesquisadores e o público em geral por meio de apresentações e atividades formativas.

Idealizado pelo dramaturgo, ator, diretor e produtor Aldri Anunciação, o Melanina Acentuada nasceu em 2012 com o objetivo de ampliar a visibilidade de artistas, autores e pesquisadores negros, consolidando-se como um dos principais espaços de circulação e fortalecimento da dramaturgia preta no país.

“Ao celebrar os 80 anos do Teatro Experimental do Negro, o Melanina Acentuada reforça que o legado construído por Abdias do Nascimento permanece vivo nas práticas artísticas contemporâneas. Mais do que uma homenagem, esta edição busca compreender como as ideias inauguradas pelo TEN continuam reverberando nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na organização da produção cultural afrodiaspórica. É um convite para reconhecer como as histórias do teatro negro se cruzam em oito décadas de passado, presente e narrativas afrofuturistas”, afirma Aldri Anunciação.

Narrativas afroindígenas

Além da homenagem ao Teatro Experimental do Negro, o festival amplia seu olhar para as narrativas afroindígenas. A programação inclui o pocket show da banda Cabokaji, que mescla referências indígenas e afro-brasileiras, e o espetáculo “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira”, monólogo de estreia do escritor Juão Nyn, indicado ao 21º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade LGBT+.

“Assim como trouxemos a ancestralidade futurística e o conceito de tempo espiralar na edição anterior, neste ano queremos avançar com a herança afroindígena e novos conceitos que chegam aos palcos. É o meu desejo que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura como conhecemos, por meio dos próprios autores”, destaca Aldri.

Programação

A oitava edição reúne 23 atividades, distribuídas entre sete espetáculos — incluindo um stand-up comedy —, um pocket show, cinco ateliês de ideias, três lançamentos de livros, duas leituras dramáticas, duas entrevistas públicas, dois compartilhamentos de poéticas e uma oficina.

A abertura acontece em 28 de julho, no Goethe-Institut Salvador, com o monólogo “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira”, protagonizado por Juão Nyn, seguido pelo pocket show da banda Cabokaji.

Entre os destaques da programação estão as apresentações de “MACACOS”, nos dias 29 e 30 de julho, no Teatro Sesc Casa do Comércio; “Namíbia, Não!”, em 31 de julho; o espetáculo “Black Machine”, no SESI Rio Vermelho; e a inédita montagem “Abdias do Nascimento”, protagonizada por Lincoln Oliveira, nos dias 1º e 2 de agosto, no Goethe-Institut.

O encerramento será realizado em 3 de agosto, no Teatro Martim Gonçalves, com os dois últimos Ateliês de Ideias, promovidos em parceria com a Escola de Teatro da UFBA, dedicados ao compartilhamento de pesquisas e processos criativos do teatro negro contemporâneo.

Ao longo de seus 14 anos de trajetória, o Melanina Acentuada Festival já apresentou mais de 40 espetáculos, reunindo artistas de diferentes estados brasileiros e consolidando-se como um dos principais eventos dedicados à dramaturgia negra no país.

Todas as atividades são gratuitas, com exceção dos espetáculos, cujos ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). O festival reserva 5% da capacidade dos espaços para pessoas com deficiência e distribui 10% dos ingressos gratuitamente para estudantes da rede estadual de ensino. As entradas podem ser adquiridas pela plataforma Sympla.

O Melanina Acentuada Festival – Ano 8 é uma realização da Melanina Acentuada, do Ministério da Cultura, do Governo Federal e do Governo do Estado da Bahia, com patrocínio da Novelis e apoio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), da Escola de Teatro da UFBA e do Goethe-Institut Salvador.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde, Viva Comunicação Interativa, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e portal Bahia Econômica. Atualmente, é repórter de Cultura no bahia.ba. Contato: jlucas9915@gmail.com

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