ACM Neto minimiza delação e diz que ‘a política está abalada’

    Prefeito de Salvador não foi citado na colaboração premiada do ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho, mas teve vários aliados apontados como “clientes” da empresa

    Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ bahia.ba

    O prefeito ACM Neto (DEM) preferiu adotar um tom mais ameno ao comentar a recente delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que citou vários dos seus aliados como supostos beneficiados pelo esquema de financiamento de campanhas mantido pela construtora. Entre os implicados estão o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB), Antônio Imbassahy (PSDB), Jutahy Magalhães Júnior (PSDB), Benito Gama (PTB), Cláudio Cajado (DEM) e José Carlos Aleluia (DEM).

    Em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (12), durante o lançamento do projeto Revitalizar, no Centro Histórico, o democrata afirmou que “delação por delação não é suficiente para a gente chegar a nenhuma conclusão” e defendeu que o Ministério Público e o Poder Judiciário “tenham braço” para investigar todas as denúncias. “Eu não sou do tipo – nunca fui e não serei agora – de fazer prejulgamento de ninguém. Eu acho que todos têm o direito de apresentar seus argumentos. O Ministério Público, quando entender necessário, vai determinar a abertura de inquérito e a apuração dos fatos levantados na delação. Ao fim do processo, o que for comprovadamente evidenciado da conduta ilícita deste ou daquele agente público, independentemente do partido, que ele responda por isso”, afirmou Neto.

    Segundo o prefeito, “a política está abalada”. “Não é o governo federal, exclusivamente, não é o partido A, B ou C. Eu acho que, nesse momento, o que nós precisamos é ter serenidade. Primeiro, que se investigue tudo. Que se apure absolutamente tudo contra todos. Ninguém deverá estar imune a isso. Nem o presidente, nem o vereador. Agora, é fundamental que a gente tenha a consciência de que o Brasil precisa de um mínimo de estabilidade. Isso não significa comprometer nenhuma investigação. Não. Isso significa ter responsabilidade e superar essa grave crise que hoje acomete o país. Uma crise econômica sem precedentes”, disse.

    De acordo com ACM Neto, devido à instabilidade econômica e política do país, o próprio município de Salvador tem enfrentado dificuldades. “Eu, por exemplo, estou encerrando este ano de 2016 muito mais preocupado do que encerrei o ano passado, por conta das questões que envolvem a arrecadação da prefeitura. E a gente não vê caminho para isso ser superado sem o mínimo de estabilidade política. Então, o que é que eu sugiro? Que o Ministério Público, que o Judiciário, que a Polícia Federal, que os tribunais de contas, todos os órgãos de fiscalização e controle tenham autonomia e independência e apoio para fazer as apurações e as investigações de tudo. E que, quem está governando, possa seguir o rumo do seu governo até que, se em algum momento se comprovar responsabilidade, ele tenha que responder por isso”, aconselhou.