Publicado em 18/08/2026 às 14h40.

Julgamento de terceiro acusado por morte de Mãe Bernadete é marcado

Mãe Bernadete foi assassinada a tiros, aos 72 anos, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em 17 de agosto de 2023

Redação
Foto: Arte sobre foto de Walisson Braga/Conaq

 

O terceiro acusado de participação no assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, será levado a júri popular no dia 13 de outubro, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Josevan Dionísio dos Santos, também chamado de “BZ” ou “Buzuim”, é apontado pela acusação como um dos executores do crime, ocorrido em agosto de 2023, na comunidade quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho.

De acordo com o advogado da família de Mãe Bernadete, Dr. Hédio Silva, o conjunto de provas contra o acusado é consistente. Ele afirmou que irá requerer a aplicação da pena máxima durante o julgamento. “Ele foi o segundo executor. Ele atirou várias vezes. Temos prova testemunhal, prova pericial, além da arma utilizada no crime, que ele chegou a exibir nas redes sociais. Também há elementos de que participou do planejamento da execução. Diante da robustez das provas, não tenho dúvida de que será condenado. Vamos pedir a pena máxima, de 40 anos”, disse o advogado.

Josevan foi pronunciado por homicídio qualificado pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. O julgamento ocorrerá na capital baiana após o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) determinar o desaforamento do processo, que inicialmente estava sob responsabilidade da comarca de Simões Filho. A decisão que autorizou a transferência tornou-se definitiva em maio deste ano.

Relembre o caso

Mãe Bernadete foi assassinada a tiros, aos 72 anos, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em 17 de agosto de 2023. Segundo a acusação, sua atuação em defesa do território quilombola e de enfrentamento à expansão do tráfico de drogas na região contrariava interesses de uma organização criminosa que atuava na localidade.

Este será o terceiro julgamento pelo Tribunal do Júri relacionado ao assassinato de Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos já foram julgados e condenados pelo crime. Marílio, apontado pela investigação como mandante, morreu posteriormente durante uma operação policial.

O advogado da família participou do último júri popular e destacou que cada novo julgamento representa uma etapa na busca por responsabilização de todos os envolvidos. “Não estamos falando apenas da responsabilização por um crime brutal contra uma mulher de 72 anos. Mãe Bernadete era uma liderança quilombola, uma defensora do seu território e dos direitos de sua comunidade. A resposta da Justiça precisa estar à altura da gravidade desse crime. A família seguirá acompanhando cada etapa até que todos os responsáveis sejam julgados e responsabilizados”, afirmou.

O caso, que completou três anos, ganhou repercussão nacional e permanece como um dos episódios mais emblemáticos de violência contra lideranças quilombolas e defensoras de direitos no país.

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