ACM Neto promete novas políticas para emprego e renda na Bahia; veja

    Plano tem foco na reindustrialização, qualificação profissional, interiorização das oportunidades e redução da informalidade

    Foto: Divulgação/Assessoria

    O candidato da oposição ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), apresenta em seu programa de governo um conjunto de propostas para emprego, trabalho e geração de renda, com foco na reindustrialização, qualificação profissional, interiorização das oportunidades e redução da informalidade.

    O plano prevê desde a criação de zonas industriais no interior até programas voltados à contratação de jovens, à formação de trabalhadores para setores específicos e ao aproveitamento do potencial baiano nas áreas de energias renováveis, bioeconomia e turismo.

    Zonas industriais e atração de empresas

    Uma das principais propostas é a criação das chamadas Zonas de Industrialização do Interior (ZII). A ideia é estudar a viabilidade de áreas destinadas à instalação de indústrias, com infraestrutura, acesso a energia e saneamento, estradas, licenciamento ambiental pré-aprovado e incentivos fiscais vinculados à geração de empregos locais.

    A proposta prevê que as zonas sejam direcionadas de acordo com as vocações econômicas de cada região. A agroindústria seria priorizada no Oeste da Bahia, enquanto os setores de couro e calçados teriam foco no Sertão. Pesca e aquicultura seriam estimuladas no litoral, e o setor de tecnologia teria espaço em Salvador e na região metropolitana.

    O programa também prevê a criação de uma estrutura única de governança para a política de atração de investimentos. A proposta é reunir, sob uma mesma coordenação, órgãos e programas atualmente ligados ao atendimento de investidores, incentivos fiscais, estruturação financeira e parcerias público-privadas.

    Entre os setores considerados prioritários estão energias renováveis, equipamentos de saúde, inteligência artificial aplicada à agropecuária e economia circular.

    Programa prevê emprego para jovens

    Na área de qualificação, o programa propõe ampliar o ensino profissional integrado ao ensino médio e aproximar a formação oferecida pela rede pública das demandas do mercado de trabalho.

    Uma das iniciativas previstas é o Acelera Juventude, que pretende transformar parte das escolas estaduais em unidades de ensino médio profissional integrado. Os itinerários de formação seriam definidos de acordo com as atividades econômicas predominantes em cada região.

    A proposta também prevê a criação do Meu Emprego é na Bahia, voltado à contratação de jovens de 16 a 24 anos em empresas privadas, especialmente em municípios do interior com maiores índices de desemprego juvenil.

    Segundo o programa, a iniciativa seria direcionada a jovens sem experiência anterior de trabalho formal. Antes da contratação, os participantes passariam por capacitação em parceria com instituições como Senai, Senac e institutos federais.

    O plano prevê ainda a definição de metas por município e o acompanhamento público dos resultados.

    Novo SineBahia e certificação profissional

    Outro ponto do programa é a reestruturação do SineBahia. A proposta prevê transformar o sistema em uma plataforma de conexão entre empresas e trabalhadores, com cruzamento de perfis profissionais e vagas disponíveis, além de orientação individualizada de carreira.

    As unidades físicas seriam mantidas, segundo o programa, com ampliação do papel dos atendentes na orientação profissional.

    ACM Neto também propõe a criação do Bahia Certifica, programa voltado ao reconhecimento formal de conhecimentos adquiridos por trabalhadores fora do ensino tradicional.

    A iniciativa pretende certificar profissionais que já atuam em áreas como construção civil, agropecuária, eletricidade e saúde, mas não possuem comprovação formal das competências profissionais.

    A certificação seria desenvolvida em parceria com instituições de ensino, Sistema S e conselhos profissionais.

    Qualificação ligada às vocações do interior

    O programa prevê ainda o Treinar para Empregar Bahia, voltado à formação de trabalhadores de acordo com as atividades econômicas de cada território.

    A proposta estabelece trilhas de conhecimento ligadas a setores como agricultura de precisão e agroindústria no Oeste, química verde e cadeia automotiva em Camaçari e na região metropolitana, mineração e bioinsumos no Semiárido, petróleo e gás no Recôncavo e turismo no litoral.

    As formações teriam certificações desenvolvidas em parceria com entidades como FIEB, Sebrae e Sistema S.

    No setor de turismo, o programa prevê ações de qualificação de guias, apoio à formalização de empreendimentos e promoção de destinos do interior nos mercados nacional e internacional.

    A Chapada Diamantina, a região do Velho Chico e o litoral sul aparecem entre as áreas citadas no plano.

    Energias renováveis e emprego verde

    O programa de governo também aposta na transição energética como uma das frentes para geração de empregos.

    Entre as propostas está a atração de projetos ligados à produção de hidrogênio verde e à chamada manufatura limpa. A instalação de empreendimentos, segundo o plano, seria negociada com exigências relacionadas à geração de empregos locais e à transferência de tecnologia para universidades e institutos baianos.

    Outra proposta é a criação da Trilha Solar, programa de qualificação de instaladores e técnicos para trabalhar com sistemas de energia solar fotovoltaica.

    O projeto prevê articulação com o Senai e outras instituições de formação profissional, além da possibilidade de linhas de crédito para pequenos consumidores interessados na instalação de sistemas solares.

    Bioeconomia da Caatinga

    Para o Sertão, o programa propõe uma política voltada à bioeconomia, com incentivo a cadeias produtivas baseadas em produtos da Caatinga.

    A proposta prevê parcerias com universidades e instituições de pesquisa, criação de incubadoras e apoio a comunidades que trabalham com extrativismo para ampliar a produção certificada.

    Entre os produtos citados estão mel, aroeira, licuri, umbu e macaúba.

    O plano prevê ainda o desenvolvimento de pesquisas para a produção de bioinsumos, fitoterápicos, cosméticos naturais e alimentos funcionais.

    Meta para reduzir informalidade

    Na área de formalização, ACM Neto propõe estabelecer uma meta oficial para a redução da informalidade no mercado de trabalho baiano.

    O programa, chamado Bahia Formal, prevê simplificação e ampliação do acesso ao MEI, criação de escritórios de formalização em parceria com prefeituras do interior e ações de orientação para regularização de trabalhadores e empresas.

    Outra medida prevista é vincular o acesso a determinados programas estaduais de crédito à condição de formalização das empresas.

    Com as propostas, o plano de ACM Neto para trabalho, emprego e geração de renda busca estruturar políticas voltadas à atração de investimentos, formação profissional e distribuição regional das oportunidades de trabalho na Bahia.