Secretário de Justiça da Bahia questiona blindagem a Neto no STF

    Ao avaliar o ambiente na Corte Superior, o secretário apontou a necessidade de esclarecimentos imediatos

    Foto: Cleomário Alves/SJDHBA

    O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, comentou em declaração exclusiva ao portal bahia.ba as recentes denúncias e suspeitas levantadas sobre a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Em sua manifestação, o gestor criticou a condução de investigações pela Corte, citou decisões envolvendo o candidato ACM Neto (União Brasil) e defendeu a apuração rigorosa de todas as alegações.

    Ao avaliar o ambiente na Corte Superior, o secretário apontou a necessidade de esclarecimentos imediatos.

    “São lamentáveis as suspeitas, acusações e indícios de parcialidade que pesam contra vários ministros da corte. A sessão de terça foi um momento triste da vida do tribunal e é preciso que haja rápida investigação e resposta a todas as suspeitas levantadas naquele plenário. Essa é a posição do presidente Lula: investigar todos e punir os culpados, doa a quem doer”, afirmou.

    Vazamentos seletivos

    Felipe Freitas também questionou a seletividade e o vazamento de informações durante o período que antecede o pleito eleitoral.

    “Não podemos aceitar é que haja vazamentos midiáticos e parcialidade nas investigações. Preocupa muito, por exemplo, a postura do ministro André e do ministro Kassio que em diferentes contextos beneficiaram o candidato ACM Neto. O ministro André não divulgou as investigações que correm sob sua relatoria contra ACM Neto. O ministro Fachin determinou que todo o sigilo fosse suspenso mas justo essa petição que trata de ACM Neto ficou resguardada, sem divulgação”, disse.

    Operação Overclean e Nunes Marques

    O secretário prosseguiu apontando incoerências na condução da Operação Overclean pela Polícia Federal, mencionando o indeferimento de medidas cautelares pelo ministro Kassio Nunes Marques.

    “Hoje veio a tona na Operação Overclean, outra investigação da Polícia Federal, o fato de que o ministro Kassio Nunes Marques negou o pedido de busca e apreensão contra ACM Neto que desde janeiro aguardava decisão no STF. Porque de todos os investigados apenas ACM Neto foi poupado das medidas? Porque um pedido do início do ano só foi despachado agora pelo ministro Kassio?”, indagou.

    Por fim, o titular da pasta de Justiça do Estado destacou os impactos do impasse sobre o processo democrático.

    “Essas questões precisam ser respondidas o mais rápido possível. Estamos há poucos dias da eleição e a manutenção destas dúvidas sobre as investigações fazem muito mal a democracia. Eu penso que tudo tem que ser investigado e que a eleição precisa ocorrer sobre os temas do futuro do Brasil e sobre quem tem melhores condições de conduzir nosso país e sobre o balanço dos anos do governo Bolsonaro e do governo Lula”, concluiu.