Direito.ba: Rita Parahyba aborda liderança feminina e advocacia

    Ao falar sobre liderança feminina, Rita diferenciou a presença das mulheres em determinados ambientes da participação efetiva nos processos de decisão

    Foto: Aline Gama / bahia.ba

    A participação efetiva das mulheres nos espaços de decisão, os desafios enfrentados ao longo da carreira jurídica e as mudanças na advocacia empresarial estiveram entre os temas discutidos pela advogada Rita Carvalho Parahyba durante entrevista ao Direito.ba, podcast de Justiça do bahia.ba.

    Presidente da Comissão de Direito Empresarial da OAB Ceará e à frente da plataforma jurídica Jus Ceará, ela relatou experiências pessoais e profissionais e tratou ainda de empreendedorismo, igualdade salarial, inteligência artificial e autonomia financeira das mulheres.

    Liderança feminina

    Ao falar sobre liderança feminina, Rita diferenciou a presença das mulheres em determinados ambientes da participação efetiva nos processos de decisão. Para a advogada, ocupar uma posição não significa, necessariamente, ter influência sobre os debates e escolhas realizados naquele espaço.

    “Quando você para para pensar e analisar existe uma diferença muito grande entre presença e participação. Uma coisa é você estar presente no lugar e outra coisa é você estar efetivamente participando das decisões, dos debates, das das das tomadas de decisões”, afirmou.

    A advogada relacionou essa percepção à própria experiência e às dificuldades que, segundo ela, acompanham a trajetória profissional feminina. Rita citou a conciliação entre maternidade, família e carreira, além da cobrança sobre a capacidade profissional das mulheres.

    “Não adianta só você ser competente. Você tem que provar que você é competente, porque tá todo mundo o tempo todo te questionando”, disse. Na entrevista, ela também mencionou a chamada síndrome da impostora e a pressão enfrentada por mulheres que chegam a posições de liderança.

    Presença feminina em posição de liderança

    Ao tratar da presença feminina em posições de liderança, a advogada afirmou que considera importante que mulheres que alcancem esses espaços contribuam para ampliar as oportunidades de outras profissionais. Ela citou experiências próprias e a criação da Confraria das Protagonistas, movimento que reúne mulheres no Ceará.

    Segundo Rita, a iniciativa surgiu após sua mudança da Bahia para o Ceará e da busca por se aproximar de mulheres que ocupavam posições de destaque em diferentes áreas. A advogada afirmou que passou a se conectar com empresárias e profissionais interessadas em discutir pautas relacionadas à participação feminina na sociedade.

    Foto: Mario Carvalho / bahia.ba

    Rivalidade feminina

    Durante a conversa, Rita também tratou da ideia de rivalidade entre mulheres. Na avaliação apresentada pela entrevistada, a competição está relacionada historicamente à existência de poucos espaços disponíveis para a participação feminina.

    “Eu acho que naturalmente existiam poucos espaços para mulheres para serem ocupados por mulheres. Então, essa competitividade surgiu daí. Se existem poucas cadeiras, a gente estava aqui lutando, batalhando para ocupar essas poucas cadeiras que tinham para a gente. Então, essa competitividade acho que vem muito daí e vem de uma construção histórica para nos enfraquecer”, declarou.

    Prevenção de conflitos

    Na área empresarial, Rita defendeu uma atuação jurídica voltada à prevenção de conflitos. Como presidente da Comissão de Direito Empresarial da OAB Ceará, ela destacou governança, compliance e boas práticas entre os instrumentos que, em sua avaliação, devem receber atenção das empresas.

    “E o direito empresarial hoje não é aquele direito só de litígio, é muito mais um direito de prevenção. Eu acho que hoje a palavra de ordem é governança. Governança, compliance, boas práticas”, declarou.

    Segundo a advogada, a atuação do profissional da área passa pela orientação ao empresário e pela construção de uma mentalidade voltada à prevenção. Para Rita, a implantação de boas práticas, mecanismos de governança e compliance pode reduzir litígios, multas e conflitos.

    O empreendedorismo feminino também apareceu na entrevista associado à autonomia financeira. Rita disse que pretende desenvolver um núcleo voltado a mulheres que buscam iniciar pequenas atividades econômicas. Ao abordar situações de violência doméstica, ela relacionou a dependência econômica às dificuldades enfrentadas por algumas mulheres para romper relações abusivas.

    “Então eu penso assim, já já tô há algum tempo, né, tentando implementar isso, um núcleo de empreendedorismo para justamente auxiliar essas mulheres. A pequena empreendedora, a de dentro de casa, a que não tem formação, para ela conseguir a liberdade dela, a liberdade financeira”, afirmou.

    A formação profissional foi apontada por Rita como outro elemento necessário para mulheres que desejam avançar na advocacia. A entrevistada destacou estudo e preparação contínua e lembrou o esforço realizado para cursar o mestrado em Brasília enquanto conciliava os estudos com responsabilidades familiares.

    “Eu acho que não tem como você alcançar lugar nenhum se você não tiver conteúdo, se você não tiver repertório. Então assim, nós precisamos estar sempre estudando, nos preparando”, afirmou.

    Veja a entrevista completa: