‘Ainda não há possibilidade’: MPBA descarta retorno de torcida mista

    Pedro Maia cita casos de violência envolvendo torcidas organizadas e afirma que ainda é necessário "evoluir muito como sociedade" antes de ter torcida mista

    Foto: Otávio Queiroz/bahia.ba

    O procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia, afirmou nesta quinta-feira (5), em entrevista exclusiva ao bahia.ba, que ainda não há possibilidade para o retorno da torcida mista nos clássicos do futebol baiano.

    Segundo ele, os recorrentes episódios de violência envolvendo torcedores impedem a retomada do modelo misto, que permite a presença de torcidas rivais no mesmo estádio. “Hoje ainda não há possibilidade [de torcida mista], pelas condições que são reiteradamente apresentadas com incidentes que nós lamentamos profundamente, a possibilidade de torcida visitante no clássico”, declarou.

    Operação na Bamor expõe violência de torcida organizada

    O procurador-geral citou uma operação realizada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA) na Bamor, torcida organizada do Esporte Clube Bahia. Segundo Pedro Maia, a investigação apontou que integrantes da cúpula da organizada praticavam tortura dentro da sede da entidade.

    Para ele, episódios como esse demonstram que ainda há desafios para enfrentar antes de liberar a torcida mista e colocar torcedores em risco durante momento de lazer.

    “Recentemente o Ministério Público da Bahia fez uma operação numa torcida organizada de um dos principais clubes do Estado, a torcida organizada Bamor, do Esporte Clube Bahia. E foi uma operação porque a cúpula da torcida, a diretoria, vinha praticando tortura dentro do prédio que abriga a torcida”, disse.

    Mortes e torturas reforçam impedimento da torcida mista nos jogos

    Maia também mencionou o último clássico disputado na Bahia, em 23 de agosto, que foi marcado pela morte de dois torcedores. Embora os crimes não tenham ocorrido dentro ou no entorno do estádio, o caso reforçou a preocupação das autoridades com a violência relacionada ao futebol.

    “No último clássico que tivemos na Bahia, não foi dentro do estádio, não foi no entorno do estádio, mas tivemos duas mortes de torcedores e uma investigação em curso com deflagração de ações”, afirmou.

    O procurador-geral ressaltou que o futebol deve ser um espaço de lazer seguro não apenas para quem frequenta os estádios, mas também para as pessoas que circulam nas proximidades durante os dias de jogos, ou somente para aqueles que usem camisas dos times.

    Apesar de considerar o desejo dos torcedores da retomada da torcida mista, Maia afirmou que ainda é necessário avançar no enfrentamento à violência para que os clássicos voltem a reunir torcedores dos dois clubes com segurança. “Entretanto, é algo que, por óbvio, é desejado, é buscado, mas ainda precisamos evoluir muito como sociedade para chegar num patamar de ter um clássico com segurança”, disse.