OPINIÃO: A nova Bahia
Artigo escrito por Lucas Reis, pré-candidato a deputado federal pelo PT-BA

O 2 de Julho é mais do que uma data histórica. É o dia em que o povo baiano reafirma sua identidade, sua coragem e sua capacidade de construir o próprio destino. Duzentos e dois anos depois, a data nos convida a refletir sobre outro processo que marcou a história recente do nosso estado: o surgimento do que chamo de uma Nova Bahia.
Por décadas, a Bahia conviveu com um modelo de desenvolvimento concentrado. Grandes investimentos ficavam restritos a poucos territórios, enquanto boa parte do interior permanecia distante das oportunidades e dos serviços públicos. A chegada do Partido dos Trabalhadores ao governo do estado, em 2007, inaugurou uma nova lógica. Pela primeira vez, o desenvolvimento passou a ser pensado para os 27 territórios de identidade, reconhecendo as vocações, potencialidades e necessidades de cada região.
Essa transformação pode ser vista em diferentes áreas. Na saúde, foram construídos mais de 30 hospitais regionais e policlínicas, ampliando a rede de atendimento especializado para as médias cidades. Na educação, vimos chegar escolas de tempo integral, centros de educação profissional e ampliação do acesso às universidades públicas. Na agricultura familiar, investiu-se em assistência técnica, cooperativas, acesso à água e fortalecimento da produção rural.
Na mobilidade, as mudanças são ainda mais visíveis. O metrô de Salvador, tratado durante anos como uma promessa impossível, se tornou realidade e transformou a rotina de milhares de pessoas. O VLT do Subúrbio acaba de ser inaugurado e avança para corrigir uma dívida histórica com uma das regiões mais populosas da capital. A Nova Rodoviária, a Ponte Salvador-Itaparica, novas avenidas e milhares de quilômetros de estradas construídas ou recuperadas demonstram que mobilidade não é apenas transporte: é desenvolvimento, geração de empregos e integração econômica.
Quem percorre a Bahia percebe essa mudança. Novos hospitais surgiram onde antes havia longas viagens em busca de atendimento. Escolas modernas foram construídas em cidades que jamais haviam recebido equipamentos desse porte. Estradas encurtaram distâncias. A água chegou a comunidades que conviviam com a insegurança hídrica. Estamos falando de uma transformação estrutural que modificou a relação do estado com sua população.
Talvez seja justamente por isso que parte da oposição tenha tanta dificuldade de compreender a Bahia atual. Muitos ainda insistem em discutir um estado que já não existe. Os últimos três governadores da Bahia percorreram territórios ouvindo a população através do Programa de Governo Participativo, transformando demandas em políticas públicas e entregas concretas, enquanto só agora os adversários parecem ter entendido a importância da escuta popular. A diferença é que, para uns, ouvir as pessoas virou método de governo. Para outros, apenas estratégia eleitoral.
Isso não significa que todos os problemas foram resolvidos. A Bahia ainda enfrenta desafios importantes, mas existe uma diferença fundamental entre reconhecer os desafios e ignorar os avanços. O povo baiano sabe distinguir quem apresenta soluções de quem vive apenas da crítica. Sabe identificar quem percorre os municípios, quem entrega obras, quem amplia direitos e quem aparece apenas em períodos eleitorais.
Neste 2 de Julho, celebrar a independência da Bahia também é reconhecer a capacidade que o nosso estado teve de se reinventar. A Nova Bahia não nasceu do acaso. Ela foi construída por milhões de baianos e baianas, por trabalhadores, estudantes, agricultores, empreendedores e lideranças que acreditaram que era possível desenvolver o estado sem deixar ninguém para trás. Essa é uma obra coletiva. E, assim como a independência conquistada em 1823, ela continua em construção.
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