Remédio ‘secreto’ de Pontes não empolga nem laboratório que o produz

    "Não fornecemos nenhum medicamento para esse estudo. Essa iniciativa do ministério (Ciência e Tecnologia) é independente ", diz médico da Farmoquímica

    Foto: Pedro França/Agência Senado

    Alardeado como promissor pelo ministro Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), o remédio tido com sua aposta para tratar o novo coronavírus não empolga nem mesmo seu laboratório de origem, a Farmoquímica, que desenvolve paralelamente outra pesquisa em busca de resultados concretos no combate ao Covid-19.

    A informação é de reportagem do portal UOL.

    Segundo a publicação, o medicamento em questão é feito com a substância nitazoxanida, hoje acessível nas farmácias com o nome Annita, droga produzida pela Farmoquímica.

    Na última quinta-feira (16), Pontes fez mistério ao afirmar que não seria possível identificar o remédio do qual é entusiasta. Posteriormente, o colunista do UOL Diogo Schelp descobriu que se tratava do vermífugo Annita.

    Sem informações conclusivas, o ministro disse que o medicamento obteve 94% de eficácia nas análises in vitro —uma etapa preliminar, pouco confiável, que antecede testes com animais. Por esse motivo, especialistas questionaram a validade das informações.

    Em entrevista ao portal, o médico Vinícius Blum, da Farmoquímica, não se mostrou empolgado com o anúncio feito pelo ministro. Pelo contrário. Ele explicou que as pesquisas capitaneadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia são totalmente diferentes dos estudos que vêm sendo feitos pela empresa com a substância.

    “A gente não conhece a iniciativa do ministério e não estamos nesse estudo. Não fornecemos nenhum medicamento para esse estudo. (…) Para nós, essa iniciativa do Ministério é independente”, disse Blum ao UOL.

    Blum também destacou que não há interesse da empresa em estimular o uso do Annita. “Não há informação que o remédio seja eficaz e não estamos, de maneira alguma, estimulando ninguém a usar Annita para o tratamento de Covid-19.”

    A Farmoquímica obteve autorização do Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) para testar a nitazoxanida em um ensaio clínico com 50 pacientes infectados, todos em estado não crítico. O processo, conhecido como “prova de conceito”, tem duração aproximada de 21 dias e mobiliza cinco hospitais de São Paulo. Os resultados devem ficar prontos no começo de junho.