Publicado em 16/04/2020 às 18h00.

‘Governo não é fonte de socorro eterna’, diz Bolsonaro sobre auxílio

Presidente superdimensionou impacto de renda emergencial no Orçamento ao dizer que gastos poderiam chegar a R$ 1 trilhão

Estela Marques
Imagem: Reprodução/ CNN Brasil
Imagem: Reprodução/ CNN Brasil

 

O presidente Jair Bolsonaro fez na tarde desta quinta-feira (16) o primeiro pronunciamento depois de demitir Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. O substituto do deputado democrata é o médico oncologista Nelson Teich.

Em seu discurso, o chefe do Executivo voltou a mencionar a necessidade de flexibilização das medidas de distanciamento social. A justificativa é a mesma acionada em pronunciamentos em cadeia nacional e coletivas de imprensa na saída do Palácio do Planalto: a economia, a geração de empregos, a impossibilidade de o governo arcar com o auxílio emergencial.

“O governo não tem como manter este auxílio emergencial ou outras ações por muito tempo. Já se gastou aproximadamente R$ 600 bilhões e podemos chegar a R$ 1 trilhão. Sei que a vida não tem preço, mas a economia, o emprego, tem que voltar à normalidade”, disse o presidente, superfaturando o impacto do auxílio emergencial no orçamento.

Dados da Instituição Fiscal Independente do Senado indica que o auxílio emergencial de R$ 600 pagos por três meses a trabalhadores informais implicará gasto de R$ 59,8 bilhões no referido período. Nem mesmo a ampliação do auxilio para catadores de material reciclável, taxistas, manicures, diaristas e pescadores artesanais chegaria a tanto. Segundo informações da Veja, o Ministério da Economia chegou a afirmar que o impacto do benefício é de R$ 10 bilhões.

Ainda que sem citar nominalmente a Câmara dos Deputados, o Senado Federal ou o Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro atribuiu a todos a responsabilidade pelo impacto econômico da crise sanitária. Governadores e prefeitos também entraram na convocatória presidencial.

“O governo não é uma fonte de socorro eterna. Em nenhum momento fui consultado por medidas adotadas por grande parte de governadores e prefeitos. Eles sabiam o que estavam fazendo. O preço vai ser alto. Tinham que fazer alguma coisa, mas, se porventura exageraram, não bote mais essa conta, não no governo federal, nas costas do nosso sofrido povo brasileiro”, acrescentou.

Brasil que ia ‘dar certo’

Bolsonaro lembrou também que o país estava “praticamente voando” no último trimestre, com “tudo indo bem” e “tudo pra dar certo” no curto prazo. O presidente não especificou, no entanto, se a referência foi ao crescimento de 0,6% no último trimestre de 2019 ou à previsão de crescimento de 0,3% no primeiro trimestre de 2020 que foi rebaixada para -0,1% por economistas. De todo modo, Bolsonaro ponderou que o “dar certo” acontecerá num tempo mais ampliado.

“Responsabilidade não é só minha, é de todos nós. Os excessos que alguns cometeram, que se responsabilizem por eles. Jamais mandaria minhas forças armadas prender quem quer que estivesse nas ruas. Jamais, como chefe do Executivo, vou retirar o direito constitucional de ir e vir, seja qual for o cidadão”, declarou o presidente, antes de voltar a defender a flexibilização das regras de distanciamento social recomendadas por autoridades de saúde como a Organização Mundial da Saúde.

Bolsonaro destacou sua autoridade diante dos demais líderes do Executivo estadual e municipal, ao dizer que quem pode decretar estado de defesa ou de sítio, depois do Congresso, é o presidente da República. “Não o prefeito ou governador”, acrescentou.