Publicado em 03/04/2021 às 20h30.

Presidente da Natura diz que antecipar vacinação de funcionários é ‘inaceitável’

Empresário acredita que manobra ampliará as desigualdades sociais

Redação
Foto: reprodução/LinkedIn
Foto: reprodução/LinkedIn

 

O presidente da Natura &CO América Latina, João Paulo Ferreira, criticou a compra de vacinas por empresas privadas com o intuito de antecipar a vacinação de funcionários. Em entrevista à colunista da Folha de S. Paulo Monica Bergamo, o empresário disse acreditar que seguir critérios baseados em grupos econômicos para a vacinação irá ampliar as desigualdades sociais.

“Temos uma posição bastante firme em relação a isso. Somos contra privilégios. Uma vacinação que siga critérios de determinados grupos econômicos ampliará ainda mais as desigualdades sociais, já aprofundadas pela pandemia, especialmente no Brasil, onde temos mais de 14 milhões de desempregados”, afirmou.

“A vacinação feita sob uma lógica que não seja a da saúde pública deixaria expostos à contaminação os grupos que hoje já são os mais vulneráveis ao vírus, perpetuando desigualdades. É moralmente inaceitável e economicamente insustentável”, completou.

Na última semana, a Natura anunciou uma doação de R$ 4 milhões ao consócio de prefeitos para ajudar na compra de insumos hospitalares e vacinas, quando ficarem disponíveis.

Um dos fundadores da empresa, Pedro Passos, integrou um grupo com 500 economistas, banqueiros e empresários que divulgou uma carta aberta cobrando medidas mais firmes para controlar a situação do Brasil durante a pandemia.

“Apesar da continuidade do discurso negacionista na retórica oficial, essa pressão já tem mostrado resultados, com o aprofundamento de medidas de distanciamento nas cidades, ampliação das frentes de negociação para a aquisição e produção de vacinas e o retorno do auxílio emergencial”, comentou João Paulo Ferreira sobre a iniciativa.

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