Clubes negociam linha de crédito do BNDES diante do risco para as bets

    CBF participa das articulações com o Governo Federal, enquanto equipes buscam alternativas para enfrentar o cenário financeiro

    Foto: Rafael Ribeiro/CBF

    Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro negociam com o Governo Federal a criação de uma linha de crédito para ajudar no enfrentamento da crise financeira. A CBF participa das conversas como articuladora, mas não seria responsável pelo financiamento.

    A discussão ocorre em meio à possibilidade de mudanças no mercado de apostas esportivas. O Governo Federal avalia uma Medida Provisória que pode restringir parte das atividades das bets no Brasil, setor que se tornou uma das principais fontes de patrocínio do futebol nacional.

    De acordo com o ge, a principal proposta em discussão prevê uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com taxas inferiores às praticadas pelo mercado. Inicialmente, a ideia é que os recursos sejam destinados exclusivamente ao pagamento de dívidas.

    Também está em análise a possibilidade de liberar valores para investimentos em infraestrutura. A medida permitiria contemplar clubes com menor nível de endividamento, mas que precisam de recursos para melhorias estruturais.

    Bets entram na discussão sobre o Fair Play Financeiro

    As articulações são conduzidas principalmente por Corinthians e Internacional, que atravessam dificuldades financeiras e atualmente cumprem transfer bans impostos pela Fifa. As conversas tiveram início no mês passado e contam com participação do Ministério do Esporte e da CBF.

    Um dos argumentos apresentados pelos clubes é o novo regulamento de Fair Play Financeiro, que entrou em vigor neste ano. A avaliação é de que as regras de governança e controle financeiro criariam um ambiente mais seguro para a eventual concessão dos recursos.

    Ainda não há definição sobre quanto o BNDES poderia disponibilizar nem quais seriam os critérios para que os clubes tenham acesso ao crédito. A expectativa é de que o tema avance somente após as eleições, cujo segundo turno está marcado para 25 de outubro.

    Foto: Gerado por IA

    Os clubes também alegam que uma eventual restrição ao mercado de apostas poderia agravar o cenário financeiro do futebol. A avaliação é de que mudanças no setor afetariam empresas que hoje estão entre os principais patrocinadores das equipes.

    A estimativa apresentada nas discussões é de que as bets movimentem cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios às camisas dos clubes da Série A.