Após a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendendo o fim das casas de apostas online, o bahia.ba consultou a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para entender o impacto do uso problemático de jogos sob a ótica de saúde pública.
Segundo nota técnica da Diretoria de Gestão do Cuidado da Sesab, entende-se que as pessoas que desenvolvem mais de um problema psicossocial, com impactos nos âmbitos pessoal, familiar, interpessoal, financeiro e de emprego, estão no quadro de “jogo problemático”.
A secretaria destaca ainda que, a exemplo de outros transtornos de saúde mental, a condição possui origem multifatorial e envolve iniquidades em saúde, devendo ser abordada de forma coletiva como um problema de saúde pública, reconhecido também pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Saúde na Bahia
Dados extraídos do Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS, coletados em 12 de junho de 2025, mostram que, entre os anos de 2022 e 2025, 21 serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) na Bahia registraram 41 atendimentos a pessoas com uso problemático de jogos sob o diagnóstico do CID F.63, referente aos transtornos dos hábitos e dos impulsos. Os números refletem apenas os casos formalmente identificados e notificados no sistema de informação da rede pública.
Para lidar com os problemas relacionados, a estrutura da RAPS no estado conta com sete componentes de atenção, abrangendo desde a Atenção Básica e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) até serviços de urgência, acolhimento transitório, leitos hospitalares e estratégias de reabilitação social.
Com o reforço do cofinanciamento estadual estabelecido pela Portaria nº 238/2025, a RAPS soma atualmente 330 unidades de atendimento distribuídas entre as nove macrorregiões de saúde baianas.
Problema de saúde pública?
Para embasar a decisão de encerrar as atividades regulamentadas das casas de apostas no Brasil, o presidente Lula criticou a dependência de jovens aos algoritmos e a relação de patrocínios com atividades ilícitas.
“A minha preocupação é que hoje tem uma parte da juventude atrelada aos algoritmos. E se a gente não fizer essa luta, os algoritmos vão ganhar. Eu não tenho nenhum problema em dizer. Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets”, declarou Lula.
O chefe do Executivo acrescentou ainda que, em nome da boa política e da sociedade brasileira, pretende acabar com a prática.
Times de futebol
A matéria envolveu a maioria dos principais times do futebol brasileiro, além de federações estaduais que coordenam o esporte. Em nota conjunta, os times divulgaram temer pelo fim do futebol nacional caso a atuação das bets fosse proibida pelo governo.
Dados de 2025 indicam que 7% das receitas dos clubes brasileiros são oriundas de patrocínio de bets. No ano passado, todas as agremiações da primeira divisão nacional tinham acordo com casas de aposta.
Em 2026, Bahia e Internacional seguem sem ter casas de apostas entre os patrocinadores. O Grêmio, que começou a temporada sem nenhuma bet estampando a camisa, fechou com uma empresa do âmbito e anunciou o acordo nesta quarta-feira (23), mesmo diante do impasse entre casas de apostas e governo.
O impasse em torno das bets também se tornou ponto central na estratégia dos candidatos na reta final da disputa eleitoral. Enquanto o presidente Lula intensifica a ofensiva contra as bets e defende a proibição do modelo no país, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se coloca a favor da manutenção das operações.

