STF realiza escuta com lideranças de terreiro em Salvador

    Iniciativa visa realizar mapeamento das principais barreiras de acesso à Justiça vivenciadas por comunidades tradicionais

    Foto: Danielle Magalhães/STF

    A Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal (STF) esteve no Terreiro Olufanjá, localizado no bairro do Beiru/Tancredo Neves, em Salvador, para dialogar diretamente com lideranças de religiões de matriz africana. A visita fez parte do Programa de Escuta Territorializada da Corte Constitucional na Bahia, voltado ao mapeamento das principais barreiras de acesso à Justiça e de garantia de direitos fundamentais vivenciadas por comunidades tradicionais.

    Durante a atividade, os participantes apresentaram um panorama das violações enfrentadas pelos povos de terreiro. Entre as principais denúncias relativas ao racismo religioso sobressaem-se atos de vandalismo e destruição de símbolos sagrados, episódios de assédio por conta do uso de vestimentas tradicionais e manifestações de discriminação no ambiente escolar, reforçando a necessidade de implementação efetiva do ensino da história e cultura afro-brasileira nas redes de ensino e da capacitação de agentes públicos.

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    As lideranças destacaram ainda os impactos do avanço urbano e da especulação imobiliária sobre os territórios ancestrais, apontando a morosidade e as barreiras na regularização fundiária como ameaças à preservação de suas práticas culturais e comunitárias.

    A urgência do debate é evidenciada por dados da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro Saúde), segundo os quais 78,4% das pessoas entrevistadas relataram que membros de suas comunidades já foram alvos de algum tipo de violência motivada por racismo religioso.