
A ambientalista Alcione Correa, uma das vítimas de um ataque na Chapada Diamantina no início de maio, comemorou a criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha e cobrou mais medidas de preservação ambiental pra a localidade.
“A publicação do decreto que formaliza o Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha é apenas um primeiro passo”, disse Correa.
Ela e o também ambientalistas fizeram parte da articulação para a criação da nova Unidade de Conservação de Proteção Integral que abrange áreas dos municípios de Itaeté, Ibicoara, Mucugê e Iramaia, na Chapada Diamantina.
Em entrevista do bahia.ba, a ambientalista disse que o novo decreto é muito relevante para o fornecimento de água, destacando que a proteção de áreas naturais é estratégica para a segurança hídrica do estado. Além disso, Correa cobrou a responsabilidade legal do estado nas questões ambientais. “Os governantes precisam entender que a água não nasce em barragens”, destacou.
Com a determinação da criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha, Alcione Correa afirmou que, agora, espera que o Estado aja de maneira mais presente no local e sinalizou que, em 2023, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) já havia chamado atenção para problemas na gestão das Unidades de Conservação estaduais.
“Sem a presença do Estado os danos vão continuar presentes, temos recebido informes de desmatamentos em áreas muito sensíveis na Serra da Chapadinha”. Correa também pediu uma investigação adequada, com a responsabilização de executores, mandantes e financiado, caso sejam identificados.
Casal de ambientalistas é atacado na Chapada Diamantina no início de maio
Com a criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra da Chapadinha, Alcione Correia afirmou que ela e o também ambientalista Marcos Fantini irão focar no retorno à Toca do Lobo e cobrou reparação.
“O Estado precisa trazer elementos para nosso retorno em segurança, bem como a reparação dos danos materiais causados no segundo atentado.”
Na madrugada do dia 30 de abril para o dia 1º de maio, a Pousada Toca do Lobo, na Serra da Chapadinha, foi alvo de um grupo de seis a sete homens mascarados e fortemente armados.
De acordo com o relato que Alcione Correa concedeu ao bahia.ba, os homens que invadiram o local pareciam ter um roteiro de busca e destruição. Os criminosos pareciam buscar materiais de pesquisa e destruíram sistemas de energia solar, de internet, computadores e equipamentos de monitoramento de animais.
Segundo ela, o grupo também efetuou disparos e ameaçou a vida de Alcione Correa e Marcos Fantini alegando que eles estariam “atrapalhando o progresso” e a entrada de mineradoras na região.

