Após homenagem a Lula, escola de samba diz ser alvo de perseguição política
A agremiação enfrenta ofensiva jurídica da oposição que pede inelegibilidade do petista por propaganda antecipada.

A escola de samba Acadêmicos de Niterói afirmou nesta segunda-feira (16) que foi alvo de “perseguição política” após levar para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota oficial publicada nas redes sociais, a agremiação declarou que, “mesmo pressionada, não se curvou” e disse esperar um julgamento “justo, técnico e transparente”.
Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola foi a primeira a desfilar no sambódromo da Marquês de Sapucaí. Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, ministros e aliados, como o prefeito Eduardo Paes (PSD). Janja, que inicialmente participaria da apresentação, desistiu de desfilar para evitar questionamentos na Justiça Eleitoral.
No comunicado, a Acadêmicos declarou que enfrentou “ataques de setores conservadores” e, de forma mais grave, “perseguições vindas de gestores do próprio Carnaval carioca”. Segundo a escola, houve tentativas de interferência direta na autonomia artística, com pedidos de alteração do enredo e questionamentos sobre a letra do samba.
“Houve tentativas de interferência direta na nossa autonomia artística, com pedidos de mudança de enredo, questionamentos sobre a letra do samba e outras ações que buscaram nos enquadrar e nos silenciar. Não conseguiram”, diz trecho da nota.
A escola também citou o que classificou como “narrativa injusta” no Carnaval, segundo a qual agremiações recém-promovidas enfrentariam maior rigor na avaliação dos jurados. “Esperamos um julgamento que respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições, interesses ou pré-julgamentos”, afirmou.
O desfile gerou reação de partidos de oposição. O Partido Novo anunciou que vai ajuizar ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a inelegibilidade do presidente, sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder. Antes mesmo da apresentação, adversários já haviam recorrido à Justiça contra o desfile.
Além da exaltação a Lula, a escola apresentou uma ala com fantasias vermelhas e estrelas no peito — sem o número 13 do PT — e incluiu no enredo o jingle “olê, olê, olá, Lula! Lula!”. Também houve referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), retratado como palhaço e presidiário.
Na parte final da nota, a Acadêmicos de Niterói destacou a “aclamação popular” como resposta às críticas e reforçou que seguirá “firme” ao lado da comunidade. “Em Niterói, o amor venceu o ódio. Seguimos firmes. Seguimos com o povo. Seguimos atentos”, escreveu a agremiação.
O resultado oficial do desfile será conhecido após a apuração das notas dos jurados, em meio a um ambiente de forte polarização política que ultrapassou a avenida e chegou ao campo jurídico.
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