Comunista reclama de governo por excluir colega de votação contra Temer

    Suplente, Davidson Magalhães não participou de votação após Rui exonerar secretários; "Faz parte do compromisso político combinar as coisas", queixou-se Daniel Almeida

    Foto: Izis Moacyr/Bahia.ba

    Aliado do governador Rui Costa (PT), o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB) reafirmou nesta quinta-feira (3) a sua insatisfação com o tratamento dado pelo Palácio de Ondina ao correligionário Davidson Magalhães, presidente estadual da sua legenda, na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB).

    Um dia antes da sessão, o chefe do Executivo baiano exonerou Fernando Torres (PSD) e Josias Gomes (PT) de suas secretarias para que pudessem reassumir temporariamente os mandatos na Câmara. Com a medida, Davidson e Robinson Almeida (PT) – suplentes da coligação – não participaram do pleito.

    A queixa de Daniel já havia sido externada nesta quarta-feira (2), no plenário da Câmara. “Em nome do deputado Davidson Magalhães, que foi retirado dessa votação, e em meu nome, voto não”, disse o comunista na ocasião.

    Em entrevista ao bahia.ba, o parlamentar explicou o motivo da declaração: “Não tinha razão para ter substituído ele, e nenhuma combinação. […] Ele foi retirado sem qualquer comunicação”.

    De acordo com Daniel, o governador informou em reunião com os aliados na última segunda-feira (31) que exoneraria os seus dois secretários. “[Davidson] É presidente de um partido que é parceiro. Essas coisas precisam ter confiança nas tratativas, conversar, ouvir. Faz parte do compromisso político combinar as coisas”, reclamou o comunista.

    Orientados pelo governador, os dois secretários não votariam pelo prosseguimento da denúncia contra Temer, com o entendimento de que, caso Rodrigo Maia (DEM) assumisse a Presidência, seria “trocar seis por meia dúzia” e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), sairia fortalecido politicamente.

    No entanto, com a repercussão da estratégia dentro do próprio partido e entre eleitores, ambos recuaram e votaram pelo prosseguimento da denúncia.