Governo exclui violência policial de relatório sobre violações de direitos humanos

    Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, informou que os dados não foram divulgados devido a "inconsistências" nos registros

    Foto: José Cruz/Agência Brasil

    O governo de Jair Bolsonaro excluiu os casos de violência policial do relatório anual sobre violações de direitos humanos. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo G1.

    Segundo o Monitor da Violência da publicação, pelo menos 5.804 pessoas foram mortas por policiais em 2019. O número é 1,5% maior do que o ano anterior. No entanto, o balanço do governo federal registra queda de 19% no total de assassinatos no país, em comparação com 2018.

    O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado pela ministra Damares Alves e responsável pelo levantamento, informou que os dados referentes à violência policial não foram divulgados por causa de “inconsistências” nos registros. O relatório se baseia em informações colhidas pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos por meio do Disque 100, também conhecido como Disque Direitos Humanos. A compilação dos dados é feita pelo próprio governo.

    “Há registros com marcador de suspeito como agente policial, mas na descrição as informações são contraditórias, assim como há registros que não possuem marcador mas as informações contêm relação com violação supostamente praticada por agente policial”, disse o ministério.

    De acordo com dados do governo federal, em todo ano de 2019 foram registrados 41.635 assassinatos no país, ante 51.558 em 2018. Esse é o menor número de crimes violentos intencionais em toda a série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reúne dados desde 2007.

    Os números incluem vítimas de homicídios dolosos e feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.