Publicado em 01/06/2026 às 08h49.

Irmão do chefe do MP-BA tratou com Daniel Vorcaro sobre pagamento de R$ 8 milhões

Marcelo Maia, irmão de Pedro Maia, aparece em conversas que citam pagamentos investigados no esquema do Rioprevidência

Redação
Foto: Reprodução / Metrópoles


A Polícia Federal (PF) interceptou conversas entre o empresário Marcelo Maia Souza Marques, irmão do atual procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre pagamentos a membros do esquema no Rioprevidência. As informações são da coluna de Tácio Lorran, no site Metrópoles.

De acordo com a publicação, o irmão do procurador de Justiça da Bahia aparece no celular de Vorcaro com o codinome de “Marcelo Terra Firme”, uma referência à Terra Firme, empresa de Augusto Lima, ex-sócio do Master e apontado como peça-chave nos aportes do Rioprevidência em letras financeiras do banco.

Em um dos diálogos interceptados em maio de 2024, Daniel Vorcaro questiona Marcelo: “Tudo bem? Mídias Promotora, 8 pau?”. O empresário responde logo em seguida: “Fala, irmão. Bati com o Félix hoje de manhã. Ele disse que validou na sexta e pediu pra pagar hoje somente. O valor é esse mesmo. Se quiser, posso te ligar pra alinhar”.

Segundo os investigadores, a empresa Mídias Promotora, registrada em nome de um laranja, recebeu R$ 126,6 milhões do Banco Master entre 2023 e 2025. A empresa era controlada por Ricardo Siqueira Rodrigues, lobista do banco no Rio de Janeiro, e servia para dar roupagem de legalidade a repasses de propina e “alinhamento político”. As conversas indicam que Marcelo atuava na operação de envio de dinheiro.

A relação do empresário com o Master não é recente. Uma reportagem do portal UOL aponta Marcelo como responsável por registrar, em julho de 2018, os domínios dos sites Credicesta.com.br e Credcesta.com.br.

O Credcesta surgiu a partir da privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal que controlava a Cesta do Povo e gerenciava o cartão consignado dos servidores estaduais. Após passar por várias mudanças societárias, a operação foi concentrada nas mãos de Augusto Lima e, posteriormente, do Banco Máxima, que veio a se tornar o Banco Master.

Marcelo Maia também é sócio na AMF Consultoria, empresa de André Kruschewsky, ex-diretor do Banco Master e primo do ex-procurador-geral de Justiça da Bahia, Eugênio Kruschewsky. Os dois foram alvos da CPMI do INSS por conta de esquemas envolvendo o Banco Master e o Credcesta no estado.

Procurados, Marcelo e Pedro Maia não se manifestaram sobre o caso.

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