A regra dos 20 segundos
Quer parar de fumar? Emagrecer? Fazer exercício três vezes por semana? Está esperando o que para começar?...

Todo mundo quer transformar maus hábitos em bons hábitos, todo mundo sabe que precisa se exercitar, comer saudável, dormir oito horas por dia. Todos nós sabemos que hobbies, meditação, prática de esportes, entre outros hábitos considerados positivos melhora algumas vezes a nossa concentração, envolvimento, motivação e prazer. Isso não é novidade, mas a grande verdade é que conhecimento sem ação não adianta nada, não melhora em nada a nossa vida.
Quantas pessoas tentam sem sucesso começar uma dieta nas segundas-feiras, trocam um passeio de bicicleta num belo domingo de sol, por um sofá com direito a controle remoto em frente a uma TV ou terminam por usar a esteira ergométrica como cabide? Tentativas de disciplina e força de vontade, muitas vezes resultando em mudanças fracassadas, culpa e sofrimento. Porque é tão difícil reprogramar nossos hábitos?
Segundo Shawn Achor, um dos maiores conferencistas de Psicologia Positiva da Universidade de Harvard, isso acontece porque a natureza nos conduz sempre pelo caminho da menor resistência. Dessa forma, somos fortemente atraídos pelas coisas que são fáceis, práticas e habituais e é incrivelmente difícil dominar essa inércia. Essa atração invisível pode determinar mais coisas na nossa vida do que percebemos, criando uma barreira ao nosso crescimento positivo. Além disso, depois de muitas investigações nessa área, a ciência comprovou que a força de vontade é um instrumento ineficaz para a mudança de hábitos já que, quanto mais a usamos, mais ela se desgasta. Cinco dias comendo folhas e estudando para uma prova muito difícil, acaba resultando em ataque compulsivo a um bolo de chocolate.
Os estudos nessa área do comportamento humano começaram em Harvard no final do século 19, por um importante cientista de nome Williams James, um dos fundadores da psicologia moderna. Através de suas pesquisas, James comprovou que os seres humanos são biologicamente propensos ao hábito e é justamente por isso que somos capazes de realizar muitas das nossas tarefas cotidianas. Segundo James, se quisermos obter uma mudança duradoura, devemos fazer do nosso sistema nervoso um aliado, transformando cada ação desejada em um novo hábito.
Foi partindo desses estudos que Shawn Achor criou “a regra dos 20 segundos” que consiste, basicamente, em redirecionar corretamente a energia de ativação, aquela necessária para as pessoas superarem a inércia e dar início a um novo hábito positivo. Vinte segundos para facilitar o acesso a bons hábitos que queremos adquirir ou para dificultar o acesso a maus hábitos que queremos abandonar. E a estratégia pode ser aplicada a qualquer coisa.
Todo mundo sabe que a pior parte é sempre começar, por isso, quando conseguimos excluir 20 segundos do tempo inicial necessário para uma nova tarefa, a tendência a prosseguir é muito maior. Assim, por exemplo, se quiser fazer exercícios pela manhã, deixe os tênis e as roupas de ginástica junto à cama na véspera. Se quer elogiar mais os outros, deixe um bloco de papel e caneta ao lado da cama para escrever bilhetes de agradecimento. Da mesma forma, inclua 20 segundos de tarefas iniciais em hábitos que deseja eliminar da sua vida, como por exemplo jogue fora o isqueiro que você leva na bolsa, para ficar mais difícil na hora de acender um cigarro ou guarde o controle remoto em um lugar inaccessível e sem pilhas, para dificultar o tempo perdido e inútil que você passa prostrado em frente a uma TV!!
No ambiente de trabalho também podemos modificar uma série de maus hábitos que reduzem, e muito, a produtividade das empresas, deixando as equipes com aquela conhecida sensação de que existe uma insuportável carga de trabalho, da qual não conseguem dar conta. Distrair-se nos mais diversos links da internet, receber alertas constantes de e-mails e/ou mensagens do whatsapp, entre outros tantos apelos do mundo moderno, são atividades que desgastam a atenção das pessoas, reduz a capacidade de concentração e prejudica, significativamente, a tomada de decisões.
E se você está ai inventando desculpas ou achando que já não tem mais idade para conseguir provocar uma mudança importante e duradoura no seu cérebro, que isso “é coisa para jovens”, saiba que está redondamente enganado. Aliás, segundo Shawn Achor, esse foi o único erro de Williams James, que como outros cientistas de sua época, acreditava que não se podia criar novos hábitos depois dos 20 anos. Hoje em dia, depois das recentes descobertas da neurociência, sabemos que o cérebro permanece flexível e maleável mesmo nas idades mais avançadas.
Tá esperando o que pra começar?
Adriana Prado tem 25 anos de experiência em Recursos Humanos. Atualmente mora no México, é mestranda em liderança positiva e consultora da “The Edge Group”, empresa equatoriana pioneira em programas de crescimento pessoal e organizacional na América Latina, através da aplicação das descobertas da Psicologia Positiva, a Ciência da Felicidade.
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