Publicado em 17/06/2026 às 17h35.

Muniz chama transporte de Salvador de ‘caótico’ e alerta para colapso sem subsídio

Vereador afirma que 'não deixaria a própria mãe usar os ônibus da capital', mas defende aporte de até R$ 80 mi

Otávio Queiroz / André Souza
Foto: Reprodução/PolitiQuestion e bahia.ba

 

O presidente da Câmara Municipal de Salvador (CMS), vereador Carlos Muniz (PSDB), fez um diagnóstico sobre as condições atuais dos ônibus urbanos que circulam na capital baiana. Apesar de classificar o serviço ofertado à população como precário, o chefe do Parlamento soteropolitano defendeu a aprovação do projeto de repasse de recursos municipais às concessionárias como uma medida extrema e inadiável para impedir o colapso total do sistema rodoviário.

O parlamentar utilizou uma metáfora familiar para expressar sua indignação com a qualidade do serviço que os usuários enfrentam diariamente nos pontos e nos veículos.

“Vossas excelências têm 100% de razão quando falam que o transporte público de Salvador é um transporte caótico. É um transporte que eu não obrigaria, se minha mãe fosse viva, que ela pegasse o transporte público comum, eu não deixaria”, desabafou o presidente da Casa.

Muniz analisou os dados técnicos apresentados pelos representantes das empresas de ônibus e das entidades do setor durante as audiências na Câmara.

Defasagem

De acordo com o vereador do PSDB, há uma defasagem crítica entre a demanda estimada e o número real de passageiros pagantes que circulam na capital, o que desequilibra o fluxo de caixa das concessionárias e empurra o custo operacional para patamares impraticáveis para o cidadão de baixa renda.

O presidente da CMS explicou os cálculos matemáticos que justificam o socorro financeiro por parte do Executivo de Salvador.

“Existe um número de pessoas transportadas que, no estudo, dizem que são 15 milhões de pessoas e, na realidade, são 13 milhões e meio. Só isso aí elevaria a passagem para mais de sete reais. Então, para que a passagem seja equilibrada hoje, ela teria que custar mais de R$ 7 em Salvador”, alertou, sinalizando que o valor atual só se sustenta devido à interferência direta do município.

Carlos Muniz concluiu o posicionamento defendendo a votação do projeto que autoriza o repasse de até R$ 80 milhões em subsídios para as empresas de ônibus até o mês de agosto. Embora reconheça que o montante não é a solução definitiva para os problemas crônicos de atrasos, superlotação e manutenção da frota, o vereador garantiu que a rejeição da matéria resultaria na paralisação completa das linhas da cidade em curtíssimo prazo.

“Esse subsídio não vai resolver o problema do transporte público. Mas se o município não fizesse o que está fazendo, até agosto o transporte público de Salvador entraria em colapso”, finalizou o presidente Carlos Muniz.

Otávio Queiroz
Soteropolitano com 7 anos de experiência em comunicação e mídias digitais, incluindo rádio, revistas, sites e assessoria de imprensa. Aqui, eu falo sobre Cidades e Cotidiano.

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