
Chegou ao fim o julgamento dos sete policiais militares acusados pela morte, decapitação e ocultação de cadáver do jovem Geovane Mascarenhas de Santana, crime ocorrido em 2014. Após intensos debates no plenário do Fórum Ruy Barbosa, o Conselho de Sentença da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador proferiu o veredito, resultando na condenação de três dos réus e na absolvição dos outros quatro envolvidos.
O veredito detalha penalidades distintas para os três condenados, de acordo com o nível de participação individual reconhecido pelos jurados nos crimes de homicídio qualificado, roubo e ocultação de cadáver. Para os quatro policiais absolvidos, o corpo de jurados acolheu a tese de negativa de autoria apresentada pelas defesas.
Logo após a leitura da sentença em plenário, a juíza presidente determinou o cumprimento imediato dos mandados de prisão expedidos contra os dois réus condenados ao regime fechado, que saíram do fórum direto para o sistema prisional.
Sentenças e absolvições
| Policial Militar (Réu) | Sentença / Resultado Comercial | Crimes Concorrentes / Motivo da Decisão | Regime Inicial |
| Jesimiel da Silva Resende | 25 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão + multa | Homicídio duplamente qualificado, roubo e ocultação de cadáver | Fechado (Prisão imediata) |
| Cláudio Bonfim Borges | 20 anos e 7 meses de reclusão + multa | Homicídio duplamente qualificado e roubo (Absolvido de ocultação de cadáver) | Fechado (Prisão imediata) |
| Jailson Gomes Oliveira | 6 anos e 4 meses de reclusão + multa | Roubo (Absolvido do crime de homicídio) | Semiaberto |
| Daniel Pereira de Sousa Santos | Absolvido | Negativa de autoria reconhecida pelos jurados | Liberado |
| Allan Moraes Galiza dos Santos | Absolvido | Negativa de autoria reconhecida pelos jurados | Liberado |
| Alex Santos Caetano | Absolvido | Negativa de autoria reconhecida pelos jurados | Liberado |
| Roberto dos Santos Oliveira | Absolvido | Negativa de autoria reconhecida pelos jurados | Liberado |
Relembre como foi o crime
O crime ocorreu em 2014, após uma abordagem policial na região da Cidade Baixa, em Salvador. De acordo com o MP-BA, os agentes públicos de segurança sequestraram e executaram o jovem sem qualquer elemento concreto que justificasse a ação.
As investigações policiais apontaram que o corpo de Geovane Mascarenhas foi encontrado com sinais severos de violência e decapitação, gerando forte comoção pública e cobranças por reformas na atuação das forças policiais.
Na época do início das investigações, os policiais militares envolvidos na ocorrência apresentaram uma versão de que a abordagem teria ocorrido em virtude de a vítima possuir características físicas semelhantes às de um autor de assaltos na região.
Os PMs sustentaram em seus depoimentos preliminares que chegaram a conduzir o rapaz para um reconhecimento formal diante de uma vítima de roubo, mas, após a testemunha não identificá-lo como o criminoso, o jovem teria sido liberado sem sofrer qualquer tipo de agressão, tese que é confrontada pelas provas técnicas da acusação.
