Bets ameaçam rever patrocínios após reação de clubes a possível MP

    Empresas do setor alertaram equipes sobre mudanças nos contratos caso governo avance com restrições aos cassinos online

    Foto: Geração por IA

    A possível edição de uma Medida Provisória (MP) para restringir os cassinos online colocou clubes e empresas de apostas em alerta no futebol brasileiro. Segundo informações de Vinícius Valfré e Ricardo Magatti, do Estadão, as bets avisaram equipes e entidades esportivas que eventuais mudanças na regulamentação podem levar à revisão dos contratos de patrocínio.

    Atualmente, 13 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro possuem acordos com empresas de apostas. A própria competição tem uma bet como patrocinadora principal. Nos últimos anos, as plataformas se tornaram uma das principais fontes de receita comercial para os clubes da elite nacional.

    Clubes reagem a possível mudança

    A preocupação aumentou após empresas do setor informarem aos clubes sobre a possibilidade de o governo editar uma MP para acabar com os cassinos online, segmento que representa uma parcela importante do faturamento das principais plataformas.

    A medida ainda não teve seus termos definidos, mas a expectativa é de que seja encaminhada ao Congresso Nacional nos próximos dias. Diante dos rumores, clubes e federações divulgaram, na quinta-feira (17), um manifesto em que demonstraram preocupação com possíveis restrições ao setor.

    No documento, as entidades afirmam que uma mudança desse tipo poderia provocar forte impacto financeiro no futebol brasileiro e alertam para o crescimento das apostas clandestinas.

    Entre os clubes que assinaram ou divulgaram o posicionamento estão Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Flamengo. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua vez, vem tratando o assunto com cautela e também é pressionada pelas empresas do setor por um posicionamento.

    Contratos podem ser revisados

    De acordo com representantes de empresas de apostas ouvidos pelo Estadão, muitos dos contratos firmados com clubes possuem cláusulas que permitem alterações em caso de mudanças relevantes no ambiente regulatório. Esses dispositivos podem ser acionados caso uma eventual MP afete diretamente o faturamento das plataformas. Os clubes já teriam sido comunicados sobre essa possibilidade pelas patrocinadoras.

    As bets também mantêm acordos comerciais com a CBF e presença em transmissões esportivas, além de contratos com torcidas organizadas e outras propriedades ligadas ao futebol.

    As empresas defendem a realização de estudos sobre os impactos econômicos e jurídicos de novas restrições. O setor foi regulamentado no Brasil em 2024, e as operadoras autorizadas pagaram R$ 30 milhões cada para obter licença de funcionamento pelo período de cinco anos.