Publicado em 30/04/2021 às 08h33.

Queremos uma posição técnica e boa vontade da Anvisa, diz Rui ao cobrar testes da Sputnik V

Governador quer que a própria agência investigue se de fato o imunizante russo possui adenovírus replicante

Alexandre Santos
Rui Costa (PT), governador da Bahia, em entrevista à GloboNews
Rui Costa (PT), governador da Bahia, em entrevista à GloboNews

 

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), pediu na manhã desta sexta-feira (30) que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) analise “com boa vontade” as suspeitas sobre a presença de adenovírus replicante em lotes da vacina Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto russo Gamaleya em parceria com a farmacêutica brasileira União Química.  Na última segunda (26), a agência rejeitou, por unanimidade, a importação e o uso do fármaco russo pelo Brasil. Um dos técnicos do órgão apontou “falta de documentação” e possíveis riscos do imunizante à saúde, dentre os quais a presença ou não de adenovírus com capacidade de replicação no corpo dos pacientes que receberem doses da vacina.

“O que nós queremos é um pouco de boa vontade da Anvisa e de determinação para fazer a pesquisa. Sobre esse debate [da presença do adenovírus], eu não sou cientista biológico. Eu assisti recentemente ao CTNBio, que é o órgão brasileiro para cuidar da biossegurança, um vídeo longo, de mais de 30 minutos, em que ele ratifica que não tem o vírus replicante e autoriza e legitima o uso da vacina. É um órgão federal responsável por biossegurança no Brasil”, declarou Rui Costa em entrevista à GloboNews.

Ao mencionar a CTNbio, o governador refere-se à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, que recentemente aprovou requisitos de biossegurança da Sputnik V. Embora o aval da CTNBio seja condição para a inserção de qualquer organismo geneticamente modificado no mercado brasileiro, a exemplo da vacina russa, o uso do imunizante dependerá de aprovação também da Anvisa.

Por isso, avalia Rui Costa, o ideal é que a própria agência realize os testes. “Recentemente, depois do contraponto do Instituto Gamaleya, ela [a Anvisa] disse que não testou a vacina. Então, ao invés de ficar com polêmicas, o que nós esperamos da Anvisa é que ela pegue um lote de vacinas e faça o teste. Ou ela própria ou encomende um laboratório isento que faça os testes pra saber se tem ou não esse vírus replicante, ao invés de ficar num debate sem sentido. Quem está precisando da vacina urgentemente somos nós, os brasileiros. Nós queremos uma posição técnica da Anvisa, com boa vontade de analisar e dizer ao povo brasileiro ‘está aqui, peguei um lote de vacina aleatório, testei e tem ou não tem o vírus replicante”, afirmou.

O governador disse não acreditar que a vacina da Sputnik possa causar eventos graves em que recebê-la. “Aqui, na Argentina, eles já vacinaram milhares de pessoas. Aqui, no México, já vacinaram milhares. São 62 países que estão aplicando essa vacina. Mais de 20 milhões de pessoas já tomaram essa vacina. Então alguém haveria de reportar se algum fato relevante tivesse ocorrido. É preciso que a Anvisa ajude a alertar a humanidade do risco que está se correndo com essa vacina.”

Diante do impasse, Rui Costa diz ter cobrado da agência cópias dos documentos que balizaram o parecer sobre sua negativa. “Nós protocolamos dois pedidos essa semana à Anvisa. Primeiro: que ela nos dê cópia dos documentos que ela utilizou para dar o parecer. Segundo: nós anexamos toda a resposta que recebemos essa semana do Instituto Gamaleya, pois queremos que a Anvisa se posicione sobre esse documento denso”, explicou.

 

 

 

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