Publicado em 26/11/2015 às 17h09.

Delcídio diz que delator ‘protege’ empresário Gregório Preciado

Agência Estado

O líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), acusou o lobista e delator da Lava Jato, Fernando Antonio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano, de proteger o empresário Gregório Marin Preciado em seus depoimentos à força-tarefa da Lava Jato. Segundo o senador, Preciado era quem realmente “organizava” os negócios de Baiano, que operava pagamentos de propinas na diretoria Internacional da Petrobras para vários políticos

“A delação quando ele (Fernando Baiano) conta quando me conheceu quando eu era diretor (de Gás e Energia da Petrobras, cargo ocupado por Delcídio entre 1999 e 2001) e o Nestor era gerente, que ele foi apresentado a mim por um amigo. Ele poupou ao Gregorio Marin Preciado”, relatou o senador em conversa gravada com Edson Ribeiro, advogado de do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

O diálogo de 1h35 min que revela o esforço do parlamentar para evitar a delação do ex-diretor foi gravado por Bernardo Cerveró, filho do executivo da estatal, e serviu para embasar a prisão preventiva do senador nesta quarta-feira, 25.

Delcídio ainda lembra outra reunião da qual participou , ocorrida na Espanha, que as autoridades rastrearam os participantes, menos Preciado. “E as conversas que nós ouvimos é que numa dessas reuniões que ocorreram (…) os caras (em referência ao Ministério Público Federal) já rastrearam quem tava nessa reunião e existia um espanhol nessa reunião que eles não souberam identificar quem era. Bingo!”, exclama o senador que é logo completado por Edson Ribeiro: “Gregório”.

O parlamentar então, conclui que Preciado é o responsável pelas negociatas de Fernando Baiano e lembre que se encontrou com o empresário durante um almoço com o senador José Serra (PSDB) no qual ele afirmou que era cunhado do tucano. “Ou seja o Fernando tá na frente das coisas mas atrás quem organiza é o Gregório Marin. O Serra me convidou para almoçar outro dia e ele (Gregório Marin Preciado) rodeando no almoço rodeando, rodeando que ele é cunhado do Serra “, afirmou Delcídio. Preciado é casado com uma prima de Serra.

Além das acusações de Delcídio, Baiano relatou em sua delação premiada que Gregório Preciado teria sido um dos operadores que o ajudou a movimentar no exterior, por meio de empresas de fachada, a propina de US$ 15 milhões destinada e funcionários da estatal referentes à polêmica compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras em 2006.

O jornal O Estado de S. Paulo não conseguiu localizar Gregório Preciado. Consultado, José Serra não havia se manifestado sobre o assunto até o fechamento da reportagem.