Acusado de mandar matar filha no crime do Papai Noel pega 10 anos
Réu vai recorrer em liberdade e saiu pelos fundos do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo

Mais de 15 anos após o crime, o empresário Renato Grembecki Archilla, de 58 anos, foi condenado pelo tribunal do júri nesta quinta-feira (2) a 10 anos, 10 meses e 20 dias de prisão em regime fechado por encomendar o assassinato da própria filha, a publicitária Renata Guimarães Archilla, em dezembro de 2001, no chamado “Crime do Papai Noel”. O réu, no entanto, vai recorrer em liberdade e saiu pelos fundos do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.
Por seis votos a um, os jurados decidiram que Archilla é culpado por tentativa de homicídio duplamente qualificado, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do agravante de o réu ser pai da vítima. Na sentença, a juíza Débora Faitarone, da 1ª vara do Júri, também indeferiu o pedido de prisão. “O crime ocorreu há 16 anos. O réu é primário. De bons antecedentes. Possui ocupação lícita e residência fixa. Não se furtou, em nenhum momento, à aplicação da lei penal”, diz a decisão.
O advogado de defesa Rodrigo Senzi apelou da decisão. “A decisão dos jurados contraria as provas dos autos”, afirma. Já o assistente de acusação, o advogado Marcial de Hollanda Filho, diz que vai recorrer da pena fixada pela juíza. “O autor do disparo, sem agravante de pai, pegou 13 anos”, justifica.
O julgamento, que durou dois dias, foi marcado pelo depoimento de Renata, de 37 anos, que sobreviveu a três disparos de arma de fogo, dois deles no rosto, em um semáforo na região do Morumbi, na zona sul da capital. Na época, ela tinha 22. Emocionada, chorou ao menos sete vezes ao falar. “Eu vou poder virar a página da minha vida e ser feliz com a minha família”, disse a publicitária, que hoje é casada e tem dois filhos.
Com um terço sempre nas mãos, Renata acompanhou a fase de debates entre acusação e defesa da plateia nesta quinta. Só saiu do plenário nas vezes em que o advogado de defesa, Rodrigo Senzi, tentou desconstruir a versão apresentada pela vítima. Já durante a fala do promotor Felipe Zilberman, parecia querer endossar a acusação, levantando o terço à altura dos olhos e rezando.
Renata também acompanhou o interrogatório do pai, no dia anterior, mas do lado de fora do plenário. Encostada na porta, ouviu o réu declarar inocência. “Nunca faria isso com a minha filha”, disse. “Nunca vi uma filha querer o mal do pai, como ela quer o meu.” Na saída do fórum, Renata chorou mais uma vez. “A Justiça foi feita.”
Julgamento – Na fase de debates, o Ministério Público de São Paulo (MPE) apresentou como principal prova de acusação uma agenda telefônica do policial militar José Benedito da Silva, condenado por ser o autor dos disparos contra Renata. Nela, constava o telefone da fazenda do avô da publicitária, já falecido, que também era acusado de ser mandante do crime, além do número de outro PM que trabalhou como segurança da propriedade, segundo apresentadas nos autos. “Foi uma monstruosidade cometida por um assassino a mando de outro”, disse Zilberman.
Mais notícias
-
Justiça18h38 de 02/06/2026
Presidente da Sucesu Bahia, Igor Takenami destaca impactos da IA no futuro do trabalho
Segundo Takenami, a escolha da temática reflete as mudanças aceleradas vividas pela sociedade
-
Justiça19h16 de 01/06/2026
SUCESU-BA projeta o futuro da inovação em congresso sobre IA e sustentabilidade
Evento ocorre na terça-feira e quarta-feira, no Hotel Deville, em Salvador
-
Justiça17h28 de 01/06/2026
ALMT abre curso com especialistas da ABRADEP para impulsionar candidaturas femininas em 2026
Módulos do curso vão abordar desde o panorama técnico do cenário eleitoral até as barreiras enfrentadas pelas mulheres
-
JustiçaEXCLUSIVO16h43 de 01/06/2026
Redução do feminicídio exige rede de apoio e monitoramento além da ordem judicial, aponta OAB-BA
Especialista pondera que o enfrentamento eficaz ao problema demanda uma articulação estrutural e permanente
-
JustiçaEXCLUSIVO16h04 de 01/06/2026
Justiça da Bahia leva sete dias para emitir medida protetiva e tem o terceiro pior prazo do país
Morosidade baiana insere-se em um contexto de explosão de litígios de violência doméstica em 2026; veja números inéditos
-
JustiçaEXCLUSIVO15h50 de 01/06/2026
A cada 29 segundos, uma mulher recebe medida protetiva no Brasil; Bahia é a 4ª no ranking
Volume de expedições é o maior já registrado para o período desde que o monitoramento começou, em 2020
-
Justiça08h00 de 01/06/2026
MPF apura infração ao Estatuto da Criança e do Adolescente no ‘Alô Juca’
Programa comandado por Marcelo Castro estaria utilizando elementos infantis para ilustrar episódios de violência
-
Justiça19h10 de 31/05/2026
Conselho aplica multa a Ciro Nogueira; senador afirma que vai recorrer
Decisão confirma cobrança de imposto e multa por propina após Operação Lava Jato
-
Justiça15h50 de 31/05/2026
Flávio Dino cancela ida a Portugal após acidente doméstico
Ministro participaria de painel sobre constitucionalismo transformador no Fórum de Lisboa, mas foi impedido de viajar após sofrer fratura e lesão ligamentar
-
Justiça14h50 de 31/05/2026
MP-BA fecha acordo com artistas e reduz gastos em quase R$ 9 milhões
Iniciativa reúne nomes como Solange Almeida, Igor Kannário, Adelmário Coelho e Toque Dez e prevê divulgação pública dos cachês contratados










